domingo, 14 de dezembro de 2025

Resenha de Show: Dialeto e David Cross (Blues Bossa Jam Session, 30 de Outubro de 2025)



Por Micael Machado

Em 2017, o trio paulistano Dialeto (formado por Nelson Coelho na guitarra, Gabriel Costa no baixo e Fred Barley na bateria - os dois últimos, também com passagens pelo Violeta de Outono) lançou o álbum Bartók In Rock, no qual faziam adaptações "prog rockers" para peças do compositor húngaro Béla Bartók, que viveu entre 1881 e 1945. Para participar do disco, o trio convidou o violinista inglês David Cross, mundialmente conhecido dentre os fãs de rock progressivo por sua passagem pelo King Crimson, entre 1972 e 1974. Os quatro músicos chegaram a fazer alguns shows de divulgação do trabalho, os quais resultaram no álbum ao vivo Dialeto – Live With David Cross, lançado em 2018, o qual foi minha introdução ao trabalho do Dialeto. Pois agora, em 2025, o trio e Cross se uniram novamente para dois shows no Brasil, um acontecido dia 28 de outubro no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo, e outro, dia 31 do mesmo mês, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, ambos dentro do projeto Blues Bossa Jam Session.

Com o apoio do Ministério da Cultura do Governo Federal, a ideia do projeto é "celebrar a riqueza do jazz e suas fusões com o blues, a bossa nova, o soul e o rock", e, entre 13 de agosto e 12 de dezembro (em São Paulo, entre 15 de agosto e 17 de novembro) trará (ou já trouxe) nomes nacionais e internacionais aos palcos citados acima, dos quais a união entre o Dialeto e o ex-músico do King Crimson foi a quarta apresentação do projeto na capital gaúcha. Com preços de ingressos bastante acessíveis (a categoria chamada "inteira popular" custava menos de 40 reais), a iniciativa foi uma bela oportunidade para a população da capital gaúcha curtir espetáculos de nomes que, quase nunca ou raramente, vêm até o sul do país, como a cantora Vanessa Moreno ou a reconhecidíssima Banda Black Rio. Infelizmente, na noite mais "prog" do projeto, o público foi bastante reduzido, sendo que aqueles que tinham ingressos para os setores mais "distantes" do palco (chamados "plateia alta" e "mezanino") foram "convidados" pela administração do evento a terem um "upgrade" em suas posições, ficando, desta forma, no setor "plateia baixa" (bem mais perto do palco que os demais setores), o qual, mesmo com esta alteração, não chegou a lotar...

Exatamente na hora marcada (ah, a velha pontualidade britânica), Fred Barley e Gabriel Costa entram no palco, e o show inicia com Gabriel passando uma alavanca de distorção (separada do instrumento) no braço do baixo, num efeito conhecido como "glissando" (algo que Fabio Golfetti, do citado Violeta de Outono, costuma fazer com frequência na guitarra) por alguns minutos, com Nelson Coelho entrando em cena já durante a execução desta introdução, para que a guitarra e a bateria, aos poucos, se juntassem à melodia executada pelo baixo. Cross entra por último no palco, se unido aos outros três na longa e atmosférica introdução de "Roumanian Folk Dances 3", faixa que também abre o disco ao vivo citado acima, e que, nesta noite, só foi ganhar "corpo" depois de uns bons cinco minutos de uma climática construção introdutória. Logo em seguida, os quatro emendam "Roumanian Folk Dances 4", onde Nelson e David executam linhas melódicas "gêmeas" em seus instrumentos, em uma faixa com um clima "oriental" e meio "misterioso", com os dois instrumentistas também "duelando" em solos alternados mais para o final da mesma.

O Dialeto com David Cross no palco do Teatro do Bourbon Country

Nelson vai então ao microfone dar o tradicional "Boa Noite", e dizer que "é muito legal poder estar com o Dialeto em Porto Alegre pela primeira vez, ainda mais em companhia do grande David Cross", para muitos aplausos da plateia, anunciando depois "Mikrokosmos 78", que inicia com Cross sozinho ao violino por uns bons três minutos, antes do Dialeto se unir a ele em mais uma melodia com "ares' orientais, onde a guitarra de Nelson soou um pouco mais "pesada" do que nas músicas anteriores, e onde ele e Cross novamente trocaram "duelos" musicais em seus respectivos instrumentos ao longo da faixa. Terminada a música, Nelson volta ao microfone, e "convoca" Gabriel a "explicar pro pessoal" como funcionam os "mikrokosmos" de Bartok, e o baixista explica então que eles são um conjunto de peças numeradas criadas para serem um "tutorial" de ensino de piano, que começam "bem facinhas" no número um, ficando mais complicadas à medida que a numeração aumenta, dizendo então que iriam tocar "Mikrokosmos 113", que "já não é tão fácil assim, mas vamos tentar fazer aqui". Certamente a faixa mais rápida e "agitada" até então na noite, a música foi um deleite para os apreciadores de técnica e musicalidade dentro do rock (especialmente o progressivo), com Nelson e David se alternando nos momentos de destaque sob os holofotes. Em seguida, outra composição intrincada musicalmente veio na forma de "An Evening in the Village", que, assim como no disco ao vivo, foi seguida pela cadenciada "The Young Bride", outra bela composição, alternando partes mais "melódicas" a passagens mais "pesadas", especialmente da guitarra de Nelson.

Com pouco mais de quarenta minutos de show, Nelson anuncia Fred na bateria e vocais da próxima música, e um ritmo eletrônico pré-gravado é acionado pelo baterista em um "kit" eletrônico ao lado de seu instrumento, com esta marcação servindo de base para um longo e belo improviso de Cross, seguido por outro de Gabriel, o qual, após uma breve pausa do baixista, se transforma nas notas iniciais de "Exiles", a primeira composição do King Crimson apresentada na noite. Ao seu término, David foi pela primeira vez ao microfone, agradeceu pela oportunidade de estar de volta ao Brasil, especialmente ao lado do Dialeto, e disse que "vocês (o público presente) é que são o verdadeiro espetáculo essa noite, e merecem uma salva de palmas", sendo ovacionado com palmas e assovios da plateia. Gabriel, então, assumiu os microfones para cantar "Tonk", faixa da carreira solo de Cross, que passou meio despercebida no meio do repertório da noite (além de ser uma das poucas a ter menos de quatro minutos de duração apresentadas pelo quarteto).

Com Gabriel voltando a usar a alavanca no braço de seu baixo, e Fred "atacando" os itens de seu kit com as palmas da mão, os dois músicos criaram uma "base" onde, aos poucos, Gabriel começou a executar uma melodia repetitiva, sobre as quais Nelson e Cross surgiram com uma melodia facilmente reconhecida pelos fãs do King Crimson como sendo o início de "The Talking Drum", a qual, entre muitos improvisos de Cross (acompanhado pela guitarra de Nelson) levou pelo menos uns quatro minutos antes de chegar em sua parte mais "agitada" na sua seção intermediária. Assim como no disco de estúdio do KC, "...Drum" foi emendada com a segunda parte de "Larks' Tongues in Aspic", ainda que a transição entre as duas não tenha sido com as "microfonias" da versão do Rei Escarlate, mas sim com alguns gritos e vocalizações dos quatro instrumentistas. Nesta, confesso que senti falta de um pouco de peso e distorção na guitarra de Nelson (que, para usar um termo frequentemente associado à tonalidade de Robert Fripp, não estava tão "esquizóide" quanto o timbre que o mestre das seis cordas do Rei Escarlate costuma usar). Mesmo assim, "Larks'..." foi um arregaço, e algo emocionante de se ver e ouvir, ainda mais quando, na parte em que a guitarra e o baixo fazem uma melodia "dobrada" ao mesmo tempo, Cross veio com um dos melhores solos da noite, quase atonal, em uma "barulheira" digna dos tempos em que tocava ao lado de Fripp e companhia. Fantástico!

Outro momento do show do Dialeto com David Cross no Teatro do Bourbon Country

Como, desde "An Evening in the Village", o quarteto vinha seguindo a ordem do disco ao vivo na apresentação, sentei e relaxei aguardando ouvir a versão da turma para a fantástica "Starless". Porém, fui surpreendido pelo início de "Easy Money", onde Fred assumiu, mais uma vez, os vocais, e Cross chegou a sair do palco na primeira parte, voltando após a segunda citação do nome da música (e um longo solo de Nelson) para realizar mais um belo (e longo) improviso em seu violino, antes do retorno da parte cantada e o final da faixa (infelizmente, sem as risadas "malucas" da versão de estúdio). Nelson apresentou novamente a banda e fez os agradecimentos "de praxe" em shows como este, antes do quarteto, finalmente (para mim, ao menos) iniciar sua versão para "Starless", a meu ver, a maior "maravilha do mundo prog" já registrada pelo King Crimson. Aparentemente, não era apenas eu o fã da canção presente ao teatro, pois foi, de longe, a faixa que recebeu a maior ovação do público em seus primeiros acordes, sendo, penso eu, aquela que o pessoal "reconheceu" mais facilmente quando iniciou. Ainda que os vocais de Fred ficassem longe da potência e alcance daqueles registrados por Wetton nos anos 70 (e, afinal, quem conseguiria chegar perto?), ouvir esta suíte ali, ao vivo, "na minha cara", pela primeira vez "em todos esses anos nesta indústria vital", foi de levar às lágrimas qualquer verdadeiro fã do King Crimson presente ao teatro naquela noite.

Assim como na carreira do Rei Escarlate na década de 1970, depois desta faixa, não havia nada mais a ser feito que pudesse superar a grandiosidade daquilo que havia sido executado no palco naquela noite, e o quarteto se uniu na frente do palco para se despedir do público com um "obrigado pessoal, obrigado Porto Alegre" de Nelson, sendo que a plateia, aos gritos de "mais um, mais um", "conseguiu" trazer os quatro músicos de volta ao palco, com Nelson anunciando que fariam mais uma canção para encerrar a noite, e Cross agradecendo mais uma vez ao público, dizendo ter sido uma honra estar presente em Porto Alegre naquela data (ele que pareceu, ao longo de toda a apresentação, estar super à vontade no palco, "regendo" entradas e saídas dos companheiros durante as músicas, e chegando a executar algumas "dancinhas" meio desengonçadas de vez em quando, e, pelo menos por duas vezes, ficando bem perto de se atrapalhar com as próprias "acrobacias" e quase levar um tombo épico - algo que, felizmente, não chegou a acontecer). Quando o quarteto se posicionou para iniciar o bis, confesso que fiquei aguardando por "21st Century Schizoid Man", música da qual Cross não participa da versão de estúdio, mas foi muito executada por ele durante seus anos ao lado de Fripp e companhia. Mas o que ouvi, para minha surpresa, foram os acordes iniciais de "The Great Deceiver", faixa que abre o álbum Starless and Bible Black, e que nem o King Crimson costumava executar com tanta frequência ao longo dos anos 1970. Novamente com Fred nos vocais (tendo a ajuda de Nelson e Gabriel nos refrãos), a faixa ficou bem próxima da versão original, e seu final levou àquela que foi, para mim, a maior (e melhor) surpresa da noite: a execução de "Red", minha faixa favorita na discografia do Rei Escarlate, e que não conta com Cross em sua versão de estúdio. Mesmo assim, ele conseguiu "encaixar" seu violino ao lado da guitarra de Nelson, em uma interpretação magistral deste clássico que, acredito, tão cedo não sairá da minha memória.

David Cross, o "bolha" que vos escreve, Fred Barley, Gabriel Costa e Nelson Coelho

Ainda houve tempo para encontrarmos os músicos no pós-show, onde tive a oportunidade de autografar alguns itens e agradecer a um extremamente simpático e receptivo David Cross por toda a boa música que ele me proporcionou escutar ao longo dos anos, além de trocar uma ideia e pegar alguns autógrafos com o pessoal do Dialeto, além de falar um pouco com Gabriel e Fred sobre o tempo que eles passaram ao lado do Violeta de Outono (que, infelizmente, eu ainda não tive a oportunidade de assistir ao vivo, embora seja um grande fã desde a década de 1980). Todos foram muito simpáticos e atenciosos não só comigo, mas como todos que estavam ali para lhes agradecer por uma noite fantástica de rock progressivo em Porto Alegre. Pelo menos até aqui, certamente, foi o show do ano na capital gaúcha. Mas ainda temos dois meses pela frente até 2026, então...

Set List:

1. Roumanian Folk Dances 3
2. Roumanian Folk Dances 4
3. Mikrokosmos 78
4. Mikrokosmos 113
5. An Evening in the Village
6. The Young Bride
7. Exiles
8. Tonk
9. The Talking Drum
10. Larks' Tongues in Aspic, Part Two
11. Easy Money
12. Starless
13. The Great Deceiver
14. Red

Body Count - Merciless [2024]


Por Micael Machado

"Tentaram me matar com tiros / Tentaram me matar de fome / Tentaram me infectar com muitos tipos de vírus / Mas falharam em me eliminar / Falharam em me destruir" canta Ice T em "Live Forever", sexta faixa de Merciless, oitavo disco de estúdio do Body Count, lançado em novembro de 2024 (lá fora, pela gravadora Century Media, nos formatos CD, Vinil - em várias cores diferentes - e um "Deluxe Box" com um CD extra com as versões instrumentais das faixas, além de "brindes" como bandana e munhequeira; enquanto, aqui no Brasil, foi lançado pela gravadora Shinigami, apenas no formato CD Digipak), o quarto registro onde a banda é formada, além de Ice nos vocais, por Ernie C. nas guitarras, Sean E. Sean nos samplers e backing vocals (estes dois, os únicos sobreviventes da formação original, ao lado, claro, do "chefão" Ice T), Juan Of The Dead nas guitarras, Vincent Price no baixo, e Ill Will na bateria, além do vocalista de apoio Little Ice e do produtor Will Putney, que também atua como guitarrista adicional e participa da composição em praticamente todas as faixas do registro (ele que também é guitarrista da banda Fit for an Autopsy). Com doze faixas em pouco mais de quarenta e um minutos, Ice e sua turma mantém a mistura de rap com metal que tornou o Body Count famoso lá no começo da década de 1990, mas parecem levar a sonoridade do grupo alguns passos adiante nas direções mais "pesadas" do estilo.

Faixas como a veloz "Psychopath" (primeiro single de divulgação do álbum, e que conta com os vocais do músico convidado Joe Badolato, também do Fit for an Autopsy) e a brutal "The Purge" (com letra inspirada pela série de filmes de mesmo nome, e que conta nos vocais com a participação de George "Corpsegrinder" Fisher, do Cannibal Corpse) parecem saídas de alguns dos álbuns mais extremos do Slayer, enquanto a vinheta de abertura "Interrogation Interlude" aproxima a sonoridade do Body Count ao metal industrial de uma banda como o Ministry, por exemplo. A citada "Live Forever" (com participação nos vocais do cantor Howard Jones, ex-Killswitch Engage, atual Light the Torch) tem, além de um dos melhores refrões do disco, alguns trechos que se aproximam do Death Metal Melódico (apesar dos vocais de Ice não terem nada a ver com o estilo), e a veloz "Drug Lords" (com uma rápida participação de Max Cavalera - vocês sabem quem - em um curto trecho falado em português) parece saída de algum dos primeiros discos do Soulfly (ainda que sem a percussão característica da banda - aliás, o encarte não especifica quem canta nesta faixa, mas eu arriscaria dizer que as vozes ficaram a cargo do baixista Vincent Price, porque, certamente, não é Ice quem está cantando aqui).

Body Count: Ill Will, Vincent Price e Sean E. Sean (atrás), Ernie C., Ice T e Juan Of The Dead (mais à frente)

"Do or Die" tem algumas partes que poderiam ser consideradas como o chamado "pula pula" do nu metal, enquanto "World War" parece saída de algum disco antigo do Biohazard, e composições como a faixa título, "Fuck What You Heard", "Mic Contract" (todas com bastante destaque para o baixo) ou "Lying Motherfucka" já se aproximam mais do estilo "tradicional" do grupo,  apostando no peso em demérito da velocidade, e onde Ice atua mais como rapper do que como cantor.   

A parte lírica também sofreu algumas alterações desde os primeiros discos, afinal, se "Mic Contract", "Do or Die" (que prega contra o crescente armamento da população dos EUA como forma de autodefesa, mas onde Ice diz que "se você vier pra cima de mim com uma automática, eu não vou me defender apenas com uma faca" e que ele não é "nenhum filha da puta pró-armas", mas sim "pró manter-se vivo") ou a própria "Merciless" ainda tratam da dificuldade da vida nas cada vez mais violentas ruas da Los Angeles natal do grupo (ou de qualquer outra cidade grande no mundo), "World War" alerta para o fato de que a humanidade está cada vez mais próxima de um conflito mundial em larga escala, tema que também permeia "Drug Lords", onde Ice fala sobre quem realmente "manda" na política do planeta. "The Purge" e "Psychopath" foram inspiradas por filmes que Ice T assistiu durante a pandemia de Covid 19, enquanto "Lying Motherfucka" é um ataque direto a Donald Trump ("Você tem pessoas que continuam a lhe apoiar / ainda que as merdas que você diz já tenham se provadas falsas / Você mente para o mundo inteiro / e ainda planeja se candidatar novamente para Presidente"), e "Fuck What You Heard" é uma crítica ao sistema político norte americano como um todo ("Esquerda e Direita são asas de uma mesma ave / Eles querem nos separar / Nos manter lutando uns contra os outros /Enquanto roubam o trem"). Já a surpreendente recriação da clássica "Comfortably Numb" (aquela mesma, que, aqui, chega até a contar com a própria participação do compositor David Gilmour na reinvenção de um dos mais emblemáticos solos de guitarra da história do rock, na única faixa do disco que passa dos quatro minutos de duração) trata da alienação da população, que fica imersa nas "redes sociais" o tempo todo, e acaba alienada (ou "confortavelmente entorpecida", como diz o título da música) do que realmente está acontecendo atualmente no mundo, sendo "informada" constantemente por Fake News e notícias "manipuladas" pelo governo ou pelos verdadeiros donos do poder no planeta.

Contracapa da versão nacional de Merciless

Merciless é um passo adiante na carreira da banda, com músicas fortes e letras ainda mais impactantes e abrangentes do que alguns dos registros anteriores. Como Ice canta em "Fuck What You Heard", "Body Count's in tha buildin' " mais uma vez, e, ao que parece, não vai sair tão cedo. Ainda bem!

"I refuse to give up / I refuse to shut up / You can try to stop me / You can try to kill me / But my voice will live forever"

Track List:

1. Interrogation Interlude

2. Merciless

3. The Purge

4. Psychopath

5. Fuck What You Heard

6. Live Forever

7. Do or Die

8. Comfortably Numb

9. Lying Motherfucka

10. Drug Lords

11. World War

12. Mic Contract