domingo, 1 de março de 2015

Livro: Max Cavalera - My Bloody Roots [2013]


Por Micael Machado

"A minha história precisa ser contada, com verdade e precisão", é o que está escrito na contracapa de My Bloody Roots: Toda a Verdade Sobre a Maior Lenda do Heavy Metal Brasileiro, versão nacional para a autobiografia do músico brasileiro Max Cavalera  (Soulfly, Nailbomb, Cavalera Conspiracy e Killer Be Killed, além de, eternamente, ser um ex-membro do Sepultura), escrita pelo próprio com ajuda de Joel McIver, jornalista britânico que já colaborou para revistas como Metal Hammer, Classic Rock e Rolling Stone (além de ter escrito livros sobre Black Sabbath, Metallica, Slayer e Queens Of The Stone Age, dentre outros). Em pouco mais de duzentas páginas, Max conta a sua vida desde a infância em meio à alta sociedade paulistana (graças à situação financeira do pai, que trabalhava na embaixada italiana em São Paulo), até os primeiros trabalhos para um projeto que viria a se tornar o Killer Be Killed (que lançou seu álbum autointitulado em 2014, um ano depois da publicação do livro), passando, claro, por seu período à frente do Sepultura e sua carreira como líder do Soulfly.

A trajetória de vida do cantor e guitarrista (não só a parte ligada diretamente à música) é contada pelo artista em uma linguagem de fácil leitura, clara e direta, a qual é um pouco atrapalhada pela tradução, que usa termos que soam "estranhos" para quem é acostumado a ler/ouvir entrevistas com Max, como se fosse difícil acreditar que o músico escolheria certas palavras para descrever determinadas situações, algo compreensível visto o livro ter sido escrito claramente para o mercado norte-americano (visto a maneira como o autor se esforça para descrever lugares e artistas bem conhecidos no Brasil, mas cita quase como "de passagem" locais e pessoas que, acredito, são familiares aos leitores dos Estados Unidos, mas dos quais não sabemos muito em nosso país), e, portanto, o trabalho de tradução (por Roberto Muggiati) ter sofrido desta necessidade de "adaptação" para a nossa realidade, algo que não foi levado em conta quando da escrita do texto original.

O que não impede que My Bloody Roots seja bastante informativo e interessante mesmo para quem já percorreu outras biografias ou documentários sobre o Sepultura ou o Soulfly. As opiniões e percepções de Max sobre os acontecimentos com suas bandas (e seus diversos componentes) são, por vezes, bastante peculiares, e a visão de alguém "de dentro" ajuda a esclarecer alguns fatos sobre a carreira dos grupos por onde passou, especialmente nos episódios de separação do Sepultura (para o qual ele tem uma explicação bastante diferente daquela conhecida pelo "senso comum"), criação e posterior "aniquilação" do Nailbomb (cuja intencionalmente curta história é relatada com impressionante riqueza de detalhes) e a constante troca de integrantes no Soulfly, o qual, Max admite, é a "sua" banda, independente de quem estiver lhe acompanhando no momento.

Algumas das fotos presentes no livro

Com prefácio escrito de forma devotada e apaixonada por Dave Grohl (do Foo Fighters, que se mostra um grande fã de Max, com quem trabalhou no projeto Probot), um dos aspectos que mais enriquece o livro são os depoimentos que surgem durante o texto feitos pelos diversos músicos, produtores, empresários e jornalistas que trabalharam ou conviveram com o brasileiro ao longo de sua carreira, assim como participações importantes de sua esposa Gloria (sua empresária desde a época de Sepultura) ou dos filhos dela, todos sempre com palavras e declarações extremamente elogiosas para com a pessoa e o artista Max Cavalera, enaltecendo sua integridade, dedicação e generosidade, e desmistificando um pouco a imagem de "arrogante" que se construiu sobre o músico aqui no Brasil, especialmente depois de sua saída do Sepultura, fato que, convenhamos, nunca foi bem digerido nem pela imprensa nem pela maioria dos fãs de heavy metal em nosso país!

Aparentemente de forma bastante honesta, Max descreve, com um bom nível de detalhes, os períodos de gravações e turnês de todos os seus discos e projetos, tentando quase sempre justificar ou explicar os caminhos musicais "diferentes" pelos quais já se arriscou (como gravar com os índios brasileiros para o álbum Roots, do Sepultura, ou procurar músicos da Sérvia, Rússia, Jamaica ou Turquia para colaborarem em discos do Soulfly), bem como não se esquiva em nenhum momento de tratar de assuntos "espinhentos" como a traumática morte do pai, ainda na adolescência (a qual lhe marcou profundamente, e nunca foi totalmente superada), o assassinato do enteado Dana Wells (filho de Gloria), a morte de seu "neto" Moses (filho de sua enteada Christina) e, principalmente, sua luta contra o vício em álcool e analgésicos, que o levou a uma internação em um centro da reabilitação, e sobre o qual ele trata de forma direta e objetiva, sem rodeios ou auto-condescendências, como, aliás, tudo o mais descrito ao longo do livro.

Capa, contracapa e "orelhas" de My Bloody Roots

Apesar de surpreendentemente curto devido à quantidade de informações e de conteúdos interessantes que possui, My Bloody Roots (que possui ainda vinte e quatro páginas com fotos de Max desde a mais tenra idade até o período da escrita do livro) é leitura obrigatória não só para os fãs de Max Cavalera (mesmo que em apenas alguma época de sua carreira), mas para todos aqueles interessados na história do heavy metal em nosso país, estilo do qual Max é, sem sombra de dúvidas, o nome de maior prestígio e importância em nível mundial que o Brasil já teve (e dificilmente algum artista chegará a superá-lo algum dia). Se tiver a chance de conferir esta obra, faça um favor a si mesmo, e não a desperdice!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Machinaria - Sacred Revolutions / Profane Revelations [2014]


Por Micael Machado

O interior do Rio Grande do Sul já revelou diversas bandas importantes para o cenário da música nacional de diversos estilos, sendo que, no heavy metal em particular, o maior exemplo com certeza é o Krisiun, que saiu da cidade de Ijuí para conquistar os palcos do mundo inteiro. Pois o Machinaria, surgido na localidade de Bagé, na campanha gaúcha, é mais uma formação que começa a traçar sua caminhada em relação a um reconhecimento maior por parte de quem gosta do estilo, através de seu debut, intitulado Sacred Revolutions / Profane Revelations, disponibilizado no mercado de forma independente em 2014.

Com três singles lançados desde seu surgimento em 2011, o quinteto, formado atualmente por Luciano Ferraz (vocal), Matheus Leal (guitarra solo), Alan Quintana (guitarra base), Luiz Mário Moraes (Baixo) e Bruno "Porta" Dachi (Bateria), estreia com um álbum conceitual com pouco mais de quarenta e sete minutos de um thrash metal moderno, que não se restringe apenas à velocidade em suas composições, apresentando também bastante "groove" e partes mais cadenciadas ao longo das faixas, além de algumas melodias que remetem a um heavy mais "tradicional". O disco é conceitual, e a temática das letras (todas a cargo do vocalista Luciano Ferraz) trata, de forma bastante interessante, do período da Inquisição Católica durante a idade média, e, embora sem contar uma história com começo, meio e fim, utiliza os textos para criticar as incongruências e exageros do período, bem como a postura da religião desde aqueles tempos até os dias atuais.

Machinaria: Luiz Mário Moraes (Baixo), Alan Quintana (guitarra base), Luciano Ferraz (vocal), Bruno "Porta" Dachi (Bateria) e Matheus Leal (guitarra solo)

Assim como as composições não se limitam a uma única fórmula pré definida (há muitas variações mesmo dentro de cada faixa, indo desde momentos mais velozes como os apresentados em "Scapegoat", "Act Of Justice" e "New Eyes, Old Lies", passando por aquele "thrashão" tradicional, que pode ser ouvido em "Shallow Grave", e chegando até partes bastante cadenciadas como as de "Holy Office", que tem um trecho bem lento no meio e foi escolhida, com todos os méritos, para ser o primeiro vídeo clipe oficial do conjunto), também os vocais de Ferraz se mostram bastante variados, indo desde um gutural a la John Tardy (vocalista do Obituary) na faixa de abertura (intitulada "Iconoclast", um dos destaques do álbum) até uma agradável voz limpa (na faixa título, uma das que apresentam mais melodia, especialmente em seu início), passando por um "rasgado" que lembra Phil Anselmo (do Down, ex-Pantera) em "Pictures Of The Dark" e até alguns agudos bem executados (e sem exageros) vez por outra. O tamanho das músicas também se mostra adequado, variando entre os quatro e os seis minutos de duração, sem aquela "encheção de linguiça" que por vezes encontramos em outros álbuns do estilo. Tudo isso ajuda a não tornar o álbum cansativo, e as oito faixas do track list regular se deixam ouvir facilmente, tendo tudo para agradar aos fãs do estilo.

Gravado no estúdio PortaHousemetal, na cidade natal do grupo, e com mixagem e masterização a cargo do baterista Bruno Dachi, a produção (executada pelo próprio quinteto) acabou ficando muito boa, deixando todos os instrumentos bem audíveis (até mesmo o baixo, normalmente mais "sumido" em produções do estilo, e que aqui chega a conseguir o "papel principal" sob os holofotes em músicas como as citadas "Act Of Justice" ou "Sacred Revolutions / Profane Revelations", onde tem direito até mesmo a um solo!), pecando apenas no timbre da guitarra de Matheus Leal em seus solos, o qual soa muito "magro" em relação ao peso dos demais componentes da sonoridade da banda, sendo este apenas um quesito "menor" no trabalho, sem chegar a comprometer o resultado final da audição.

Detalhe do CD

Como bônus, completa o disco a faixa "Burning My Soul", retirada do primeiro single do conjunto (que tinha o mesmo nome, e foi lançado em 2013), a qual apresenta algumas partes de uma entrevista com o famoso assassino Charles Manson realizada em 1987, e que ajuda a compor um interessante registro de estreia de uma banda que tem tudo para trilhar um caminho de sucesso no mundo do heavy metal nacional, assim como seus conterrâneos de estado citados lá no início desde texto. Potencial para isto, com certeza, o Machinaria possui.

Track List:

1. Iconoclast
2. Scapegoat
3. Act Of Justice
4. Holy Office
5. Pictures Of The Dark
6. Sacred Revolutions, Profane Revelations
7. New Eyes, Old Lies
8. Shallow Grave
9. Burning My Soul (Bonus Track)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Livro: Black Sabbath - A Biografia [2013]


Por Micael Machado

A Biografia da banda inglesa Black Sabbath não é o primeiro livro do jornalista, radialista e escritor (também britânico) Mick Wall que eu leio, mas, ao contrário do que acontece com o excelente Led Zeppelin: Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra, desta vez a leitura das mais de 330 páginas da obra em questão deixará um sabor quase agridoce ao fã que se aventurar por suas linhas.

Tendo entrevistado os membros do grupo (em suas várias encarnações) ao longo dos anos (fossem eles integrantes efetivos ou ex-colaboradores quando de suas conversas), assistido a diversos shows e inclusive trabalhado como relações públicas para a banda durante a primeira passagem do vocalista Ronnie James Dio pelo Sabbath (e depois durante a carreira solo do cantor, assim como exerceu a mesma função na carreira solo de Ozzy Osbourne a certa altura), Wall tinha tudo para escrever o compêndio definitivo sobre um dos grupos mais importantes do hard rock setentista, considerado um dos pais do heavy metal e um dos membros da Santíssima Trindade do rock pesado (ao lado do citado Led Zeppelin e dos também ingleses do Deep Purple). Mas, infelizmente, o jornalista resolveu dedicar atenção especial apenas às fases do grupo pela qual ele nutre um assumido apreço e interesse musical, dedicando apenas umas poucas linhas para os períodos que ele considerou como "de baixa" na história do quarteto (fases que, em geral, têm a mesma consideração também por parte dos fãs do grupo).

Algumas das fotos presentes no livro

Desta forma, se a infância/adolescência dos membros originais do Sabbath são destrinchadas quase que cirurgicamente pelo autor (assim como o período entre o primeiro disco e o álbum Sabbath Bloody Sabbath, de 1973), Mick Wall também dedica uma atenção especial à primeira fase de Dio com o grupo (à qual ele acompanhou "de dentro", como citei), ao período em que o cantor Ian Gillan esteve à frente do quarteto (o que rendeu o lançamento do disco Born Again, em 1983) e ao retorno de Dio em 1992, bem como coloca em evidência a importância e a colaboração do eterno "tecladista escondido" Geoff Nicholls para o Sabbath (ele que, apesar de algumas críticas que sofre por parte do escritor, é citado como fundamental para que o grupo continuasse na ativa depois da saída de Ozzy, ajudando Iommi a compor e sempre apoiando o guitarrista durante as várias mudanças de formação que o grupo enfrentou durante a década de 1980). Estranhamente, há também várias páginas dedicadas à primeira fase da carreira solo de Ozzy, quando tinha ao seu lado o fantástico guitarrista Randy Rhoads, em trechos que, embora bastante interessantes (e até emocionantes por vezes), acabam soando um pouco deslocados, visto o livro ser sobre o Sabbath, não sobre seus membros (há também, para ser justo, várias referências à carreira solo de Dio, embora em menor número).

Porém, o período final da primeira fase com Ozzy (que rendeu dois discos considerados como "desastrosos" pelo autor, Technical Ecstasy e Never Say Die) rende páginas e mais páginas quase que apenas denegrindo a imagem do grupo (e de seu vocalista) na época. Já as fases com Glenn Hughes, Ray Gillen e Tony Martin ao microfone (sete anos e quatro discos, se considerarmos apenas a primeira passagem deste último pelo quarteto) ocupam apenas vinte e quatro páginas (os dois primeiros anos de Dio com o grupo renderam quarenta, para terem ideia), enquanto o período entre os shows gravados no disco Reunion (de 1998) e as gravações de 13, durante os anos de 2012 e 2013 (quando ocorreram várias turnês encabeçando o festival Ozzfest, e pelo menos duas tentativas de concluir um novo álbum de estúdio), também não chegam a despertar maiores interesses por parte do autor, e, apesar de bem catalogados e de não deixarem de trazer informações interessantes mesmo ao mais dedicado fã da banda, acabam deixando no leitor a impressão de que poderiam ter sido melhor explorados, ainda que, para isso, o número total de folhas do compêndio tivesse de ser aumentado em mais algumas dezenas de páginas.

Capa e contracapa da versão nacional de Black Sabbath - A Biografia

O livro se encerra quando do lançamento do álbum 13 (em 2013), e, mesmo com algumas (poucas) falhas, como as citadas, e um certo gosto de "quero mais" ao final da leitura, ainda consegue ser bastante recomendável, até porque o talento de Mick Wall como escritor é inegável (sua escrita é ágil e direta, proporcionando uma leitura bastante agradável), e a tradução para o português (a cargo de Marcelo Barbão) parece ter sido feita por quem "entende do riscado", evitando vários equívocos que alguém "de fora" do meio musical comete frequentemente, como se vê em outras obras por aí. Black Sabbath - A Biografia (que ainda possui vinte e quatro páginas com fotos de diversas fases da carreira do grupo) pode não ser, ainda, a obra definitiva da história dos ingleses de Birmingham, mas está de bom tamanho para quem quiser saber um pouco mais sobre um dos mais importantes nomes do heavy metal de todos os tempos. Confira!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Leviæthan - Disturbed Mind [1992]


Por Micael Machado

Quando eu me mudei do interior do Rio Grande do Sul para a região metropolitana de Porto Alegre, a rádio Ipanema FM (ainda hoje a "rádio rock" mais importante da capital gaúcha) foi essencial para me apresentar bandas e sonoridades que, até então, eu só conhecia através de revistas e jornais (lembrando que, na época, a internet ainda não era tão popularizada quanto hoje). E foi através das ondas sonoras desta emissora que descobri as músicas do álbum Disturbed Mind, do grupo gaúcho Leviæthan, e fui surpreendido e conquistado por suas qualidades!

Formado em 1983, o Leviæthan chegou a participar da lendária coletânea Rock Garagem no ano seguinte, ainda como um trio e compondo em português. Após uma troca de bateristas, registraram a demo Thrash Your Brain, a qual lhes rendeu um contrato com a gravadora Rock Brigade Records, por onde lançariam, em 1990, seu álbum de estreia, intitulado Smile, já com a formação estabilizada no quarteto Carlos "Lots" Henrique e Alexandre Colletti (guitarras), Danilo Pizzato (bateria) e Flávio Soares (vocal e baixo), este uma verdadeira "lenda viva" do metal gaúcho, já tendo sido apresentador da própria Ipanema FM, produtor de shows e um dos proprietários da saudosa Madhouse, loja ligada ao rock pesado que marcou época em Porto Alegre. A excelente recepção do disco os levou a registrar Disturbed Mind em 1992, mostrando uma evolução absurda em um álbum espetacular, bem mais trabalhado e melhor gravado (e produzido) que o trabalho de estreia.

Leviæthan em 1992: Alexandre Colletti, Flávio Soares, Carlos "Lots" Henrique e Danilo Pizzato

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção no som do grupo, quando o ouvi pela primeira vez há muito tempo atrás na citada rádio, foi a presença do violão no meio da porradaria, não como um instrumento de "introdução" às músicas (como eu já havia escutado em álbuns do Metallica ou do Sepultura), mas com frases e até solos encaixados em meio ao trabalhado thrash metal executado pelos gaúchos. Esta característica aparece com ênfase na faixa de abertura "Seeds of Violence", e, em menor escala, em "In Search Of Life" e na faixa título, mostrando que o quarteto não tinha medo de ousar para atingir seus objetivos musicais. Isto para não citar "Facing Reality", onde se pode perceber o uso de um instrumento que, a menos que muito me engane, soa perfeitamente igual a um cavaquinho (!).

É difícil apontar destaques em um track list tão regular, mas acredito que os fãs do estilo encontrarão muitas qualidades durante a audição de faixas como "Drinkin' Death" (que possui algo de Megadeth em seu arranjo), "Visions of a Distorted Path" (cuja intro lembra muito o Sepultura da época de Schizophrenia), "The Evil Within" (que, por ser um pouco mais cadenciada que as demais, curiosamente lembra algumas coisas que o Slayer viria a registrar na década de 1990) ou "Time For Lies". Apesar das bandas "para referência" que citei acima, não seria errado dizer que o thrash metal dos gaúchos, movido a riffs poderosos, se baseia muito na escola germânica do estilo, principalmente nos registros antigos dos grupos Destruction e Kreator (confira o estilo dos solos, principalmente os executados por Colletti, talentoso guitarrista que, infelizmente, viria a falecer em 1994, vítima de um acidente de trânsito). Ou seja, como o leitor mais atento já percebeu, a bolachinha é "coisa fina" para quem curte este tipo de som!

Outra característica que chama a atenção neste disco do Leviæthan são as letras de suas composições.  Em sua maioria a cargo do baterista Danilo Pizzato (assim como no registro anterior), elas fogem um pouco dos "clichês" líricos da época, abordando temas como preocupações ecológicas e com o futuro da humanidade ("In Search Of Life", "Visions of a Distorted Path"), loucura ("Disturbed Mind"), os perigos e danos de se entregar ao álcool ("Drinkin' Death") e até um raivoso lamento pelo assassinato do gato de estimação do narrador de "My Cat" (sendo que "Philip VII", curta composição que quase pode ser taxada como vinheta, não chega a ter uma letra propriamente dita, apenas sons ininteligíveis balbuciados por Fábio, além de, erroneamente, estar grafada como "Philip IIV" na contracapa). Tudo isto acentuado pela excelente pronúncia e vocalização de Soares, que lembra bastante um Schmier, do Destruction, ou, mais evidentemente, os registros do jovem Tom Araya (confira a parte mais cadenciada no meio de "Facing Reality" e perceba se não tenho razão).

Flávio Soares, um dos maiores batalhadores do heavy metal gaúcho

Talvez seja devido à memória afetiva que eu tenho com o disco, mas Disturbed Mind é, em minha opinião, o melhor álbum de thrash metal já registrado no Rio Grande do Sul (ao lado de Best Before End, da Panic, curiosamente lançado no mesmo ano de 1992). Graças à iniciativa pessoal de Flávio Soares, a bolachinha foi relançada em CD neste ano de 2014 (apresentando uma arte um pouco diferente, em tons mais escuros), com o apoio da gravadora e distribuidora True Metal Records & Distro e da Thrash S/A, trazendo como bônus três faixas da demo Thrash Your Brain, que depois seriam retrabalhadas e regravadas para aparecer no disco de estreia, dentre elas a vinheta "Pimponetta", uma das favoritas dos fãs nas apresentações ao vivo do conjunto, que, com uma formação renovada (mas estabilizada desde 2010), continua se apresentando pelo país, alem de trabalhar intensamente nas gravações de seu terceiro registro (previamente intitulado D-Evil in Me), sempre tendo à frente seu marcante baixista e vocalista, uma das figuras mais importantes do heavy metal do Rio Grande do Sul. Longa vida ao "monstruoso" Leviæthan gaúcho!

Track List:

1. Seeds of Violence
2. Facing Reality
3. Drinkin' Death
4. In Search Of Life
5. My Cat
6. Visions of a Distorted Path
7. The Evil Within
8. Philip VII
9. Time For Lies
10. Disturbed Mind

Faixas bônus da reedição em CD:

11. Bred To Die
12. The Last Supper
13. Pimponetta

domingo, 30 de novembro de 2014

Datas Especiais: 20 anos do show que reuniu Ramones e Sepultura em Porto Alegre


Por Micael Machado
(Fotos retiradas do site Sequela Coletiva)

Hoje completam-se vinte anos da única oportunidade que eu tive de assistir ao vivo minha banda favorita em todos os tempos, os americanos dos Ramones. No dia 09 de novembro de 1994, os "irmãos" novaiorquinos se apresentaram em Porto Alegre na turnê chamada "Acid Chaos", ao lado dos grupos brasileiros Sepultura e Raimundos. Uma data que, mesmo passados tantos anos, ainda permanece viva na memória de quem esteve no Ginásio Gigantinho naquela noite mágica!

Anúncio do show nos jornais

Na época, eu era (ou tentava ser) cantor em uma banda amadora da cidade de Esteio, na região metropolitana da capital gaúcha. Depois de alguns finais de semana tocando pelos barzinhos da região, um dos meus colegas de grupo reuniu a grana que havíamos juntado e se dirigiu a Porto Alegre para comprar os ingressos alguns dias antes da data marcada para o show dos Ramones, banda da qual eu e meus amigos éramos fãs incondicionais. Ele escolheu comprar os ingressos para as cadeiras numeradas (por caríssimos, à época, vinte e cinco reais, contra vinte do valor para arquibancadas e pista), de onde teríamos uma melhor visão do show, segundo seu pensamento, algo que realmente veio a se confirmar, embora na época eu tenha ficado bastante chateado de estar tão longe do palco, e sentado, ainda por cima. Sei que os dias que antecederam aquela quarta feira foram de muita expectativa, ainda mais que seria o meu primeiro show envolvendo uma banda internacional (e apenas o quarto de uma banda "grande"). Na época, eu não tinha muita ideia da capacidade de público do Gigantinho (em torno de dezoito mil pessoas), mas lembro que fiquei chocado ao constatar que havia naquela noite menos pessoas do que no show da Legião Urbana que eu havia assistido alguns meses antes (segundo o jornal Zero Hora, oito mil espectadores assistiram ao concerto naquele novembro). Afinal, como era possível que os Ramones não lotassem o local, se a Legião havia feito isto?


Ingressos do show

A abertura da noite ficou a cargo dos Raimundos. Com a "clássica" formação de Rodolfo (vocais), Digão (guitarra), Canisso (baixo) e Fred (bateria), os brasilienses haviam lançado seu disco de estreia pouco tempo antes, e estavam "com todo o gás" na data em questão. Confesso que lembro muito pouco do show, exceto que curti bastante todas as músicas tocadas, as quais eu já conhecia de cor, visto que o álbum dos brasilienses já fazia parte da minha coleção há algumas semanas. Não sei ao certo o que tocaram (com certeza, nos trinta minutos a que tiveram direito - segundo a matéria da Zero Hora citada antes - rolaram "Puteiro Em João Pessoa" e "Nêga Jurema", as primeiras canções de destaque do disco), mas lembro que o ginásio ainda estava bem vazio ao longo da apresentação do quarteto.

Cartaz de divulgação

Algo que mudaria radicalmente pouco antes do Sepultura entrar em cena. A pista ficou tomada por milhares de metalheads vindos sei lá de onde para curtir o som dos mineiros, que estavam em turnê de lançamento de Chaos AD, ainda hoje o meu disco favorito dos caras. Foi a única vez que tive a chance de ver o grupo com Max Cavalera nos vocais, ao lado de seu irmão Igor na bateria, de Andreas Kisser nas guitarras e de Paulo Jr. no baixo, e os caras não decepcionaram, despejando porrada após porrada (vinte, segundo o  texto do jornal) com sangue nos olhos. Também não lembro direito o que rolou (a Zero Hora fala em "Inner Self", "Polícia" e "Orgasmatron", além de uma participação dos Raimundos em "Kaiowas"), mas sei que conhecia tudo, e, em "Desperate Cry", minha preferida em sua longa discografia, quase entrei em êxtase! Assisti ao grupo várias vezes depois disso, já com Derrick nos vocais (e pelo uma vez já sem Igor), e o impacto que o Sepultura me causou nunca foi nem perto do que aconteceu daquela primeira vez, vinte anos atrás!


 Matérias no jornal antes do show

E então era chegada a hora tão esperada: meus heróis musicais estariam finalmente a poucos metros de distância de mim, e tocando as minhas canções preferidas! Para meu espanto, muita gente que havia entrado no ginásio para assistir ao Sepultura foi embora assim que a apresentação acabou, e a pista acabou ficando bem vazia, talvez com metade do público que havia no show dos mineiros. Mas isso não pareceu ser empecilho para Joey (vocais), Johnny (guitarra), CJ (baixo) e Marky, visto que, ao que consta, os talvez quatro mil espectadores que sobraram ainda eram muito mais do que as poucas centenas a que eles estavam acostumados a enfrentar em suas apresentações nos Estados Unidos. Só que, infelizmente, este já não era o melhor momento para ver o grupo em ação. Apesar de estarem divulgando o disco de covers Acid Eaters (e, se ninguém percebeu, o nome da turnê é a junção de parte dos nomes dos "novos discos" das duas bandas), o show foi muito parecido com o que se ouve no ao vivo Loco Live, com as músicas bem mais rápidas que as versões de estúdio, e o set inteiro durando pouco mais de uma hora. Apesar de eu vibrar como um doido, não deixei de perceber que o quarteto parecia cansado e burocrático (não foi à toa que se separariam apenas dois anos depois), tocando meio no "piloto automático", sem tanta empolgação. Lembro de ter lido na época (se não me engano, na revista Bizz, uma das poucas fontes que tínhamos então, visto que não havia internet nem tanto acesso à informação quanto temos hoje) uma declaração de Joey de que os Ramones sempre pretendiam que você saísse de uma apresentação deles com a certeza de ter visto o melhor show de sua vida. Eu ainda era inexperiente nesse ramo, mas, já então, não foi o melhor concerto que eu havia presenciado. Mesmo assim, longe de mim falar que foi ruim, embora eu esperasse bem mais!

Matéria no jornal depois do show

Como eu disse, vi Andreas, Paulo e Igor algumas vezes depois disso, assim como os Raimundos com e sem Rodolfo à sua frente (ou Fred nas baquetas). Também pude assistir Marky outras três vezes desde então (com o Intruders em 2000 no Bar Opinião, em uma participação especial no show do Pearl Jam em 2005 no mesmo Gigantinho, e novamente no Opinião em maio deste 2014, junto do Marky Ramone's Blitzkrieg). E levaria quase vinte anos para rever CJ (em setembro deste ano) e Max (a quem assisti em 2013 à frente do Soulfly, e de novo em 2014, desta vez ao lado de seu irmão no Cavalera Conspiracy). Mas nunca mais pude assistir a um concerto com Joey ou Johhny no palco. É também por isso que aquele 09 de novembro de 1994 é tão especial (tanto que foi lembrado no palco por Max Cavalera em ambas as recentes apresentações que fez em Porto Alegre, citadas acima, e eram um dos principais assuntos dentre os que assistiram a estes shows do Soulfly e do Cavalera Conspiracy, assim como o do Marky Ramone's Blitzkrieg de 2014), e, com certeza, ficará para sempre na minha memória como um dos mais memoráveis espetáculos a que já assisti. Tenho convicção que aqueles que estiveram lá naquela noite hão de concordar comigo!

Hey Ho, Let's Go!

domingo, 2 de novembro de 2014

Banda do Mar - Banda do Mar [2014]


Por Micael Machado

O casal Marcelo Camelo (ex-Los Hermanos) e Mallu Magalhães finalmente resolveu levar, definitivamente, a relação para o campo musical. Mesmo que os caminhos dos dois já tenham se cruzado antes (com participações de Mallu nos dois discos solo do cantor e a produção deste para Pitanga, terceiro álbum dela), foi apenas em maio deste 2014 que os músicos anunciaram estarem formando um novo projeto ao lado do baterista português Fred Ferreira (membro das bandas Buraka Som Sistema e Orelha Negra), intitulado Banda do Mar, cujo primeiro disco (auto-intitulado) saiu no final de agosto, no Brasil e em Portugal, lançado pela gravadora Sony Music, e que teve audição integral disponibilizada no aplicativo Spotify. Fui conferir, e, posso afirmar, gostei muito!

Apesar de não ser assim tão diferente da produção anterior do casal, fica bem claro que a Banda do Mar não é uma continuação das carreiras solo dos músicos, nem uma espécie de "reencarnação" do Los Hermanos. Ainda que a quase pop “Cidade Nova”, que abre o álbum tendo a voz de Camelo, até pudesse estar em um disco da ex-banda do cantor, ou que a tristonha “Pode Ser”, a linda balada acústica “Dia Clarear” (ambas com os vocais principais a cargo de Marcelo) ou “Me Sinto Ótima” e a balada “Seja Como For” (as duas com voz principal de Mallu) não soassem deslocadas nos discos solo de seus cantores, fica claro que esta é uma nova banda, com sonoridade diferente dos trabalhos anteriores da dupla.

Banda do Mar: Marcelo Camelo, Fred Ferreira e Mallu Magalhães

Algo que se percebe bem nas duas primeiras músicas divulgadas pelo trio, “Hey Nana” (escolhida como primeiro single, e que possui um ritmo balanceado e meio preguiçoso, com voz de Camelo e guitarra e bateria trazendo ecos de surf music aos ouvidos, algo que também ocorre em outras composições do trio) e, principalmente, “Mais Ninguém”, com um delicioso ritmo suingado (levado pela guitarra e capitaneado pela voz doce e suave de Mallu), a qual já nasceu com cara de hit, tanto que gerou o primeiro clipe extraído do álbum (onde a cantora aparece deslumbrante, como sempre). Outra canção que destoa do repertório anterior do casal é “Mia”, de ritmo agitado e toques de MPB, tendo Mallu na voz principal. “Solar” também apresenta tons de MPB no seu arranjo, e, não sei bem por quê (talvez pela entonação de Camelo em algumas partes), me trouxe à mente a versão para "A Palo Seco", de Belchior, que o Los Hermanos de vez em quando apresentava ao vivo. Há ainda duas letras que parecem se completar e enfatizar a relação que o casal possui: em Faz Tempo” (que traz ecos de Los Hermanos ao ouvinte), Marcelo parece se declarar a Mallu, que "aceita" o "pedido de casamento" do músico na ensolarada “Muitos Chocolates”, onde a cantora exige "cafuné, massagem no pé e muitos chocolates" para viver ao lado de seu amor. 

Um ponto diferente fica com o encarte, o qual traz, junto das letras, as cifras de cada uma, além de uma ilustração feita pela própria Mallu Magalhães na página inicial. Alternando canções hora na voz de Camelo, hora na de Mallu (cada um sendo responsável por cantar em suas próprias composições), e com capa trazendo uma imagem da modelo Camilla Baldin N. Lima (de autoria da fotógrafa Bruna Valença), o álbum se encerra com a linda e singela “Vamo Embora” (a mais longa de todas, beirando os cinco minutos e meio), cantada por Marcelo com uma breve participação na melodia da voz de Mallu (algo que também ocorre na citada “Pode Ser”), canção que é forte candidata a melhor faixa de um disco que, se não é o melhor lançamento nacional do ano, fica vários pontos acima dos registros tanto da carreira solo de um quanto de outro dos dois cantores da banda. Aos fãs da dupla (e, claro, aos fãs eternamente saudosos pelo Los Hermanos), este é um lançamento altamente recomendável!

Ah, só para terminar: a turnê de estreia do grupo inicia em Porto Alegre, dia 10 de outubro, com apresentação no Auditório Araújo Vianna. Meu ingresso, claro, já está na mão!

"É só você querer que tudo pode acontecer"...

Track List:

1. Cidade Nova
2. Mais Ninguém
3. Hey Nana
4. Muitos Chocolates
5. Pode Ser
6. Mia
7. Dia Clarear
8. Me Sinto Ótima
9. Faz Tempo
10. Seja Como For
11. Solar
12. Vamo Embora

Lugh - Quando os Canecos Batem [2014]


Por Micael Machado

O estilo conhecido como Celtic Punk (mistura do punk rock com sonoridades tradicionais de países como Irlanda, Escócia e País de Gales) tem alguns representantes fortes no estrangeiro, como Flogging Molly, Dropkick Murphys, Fiddlers Green e The Real McKenzies, mas, aqui no Brasil, eu tinha dificuldades em indicar um grupo do gênero. Isto até conhecer a música dos gaúchos da Lugh, que lançaram em março deste ano seu álbum de estreia, intitulado Quando os Canecos Batem, de forma totalmente independente.

Naturais da cidade de Santa Maria, o quinteto formado por Rafael Miranda (voz,violão,violino), Leonardo Nasr (gaita ponto), Lucas "Bala" Odorizzi (baixo,voz), Daniel Jardim (guitarra,mandolim,voz) e George Sá (bateria) já havia lançado um EP em 2010 (com três faixas e intitulado Coisas, Músicas, Ceva ... Vida) e, ao invés de abordar questões políticas ou de desigualdades sociais, como muitas outras aglomerações punk por aí, calca suas letras na velha combinação "diversão-bebedeira-festas", enaltecendo o valor da amizade e de um bom caneco de cerveja gelada como o único motivo para um proveitoso final de semana, ou uma bela maneira de esquecer dos problemas da rotina estressante do dia-a-dia de trabalho, tudo regado a músicas divertidas e dançantes, com peso na medida certa e aqueles backing vocals contagiantes que te convidam a cantar junto com eles após umas poucas audições. São assim "Grito Na Noite" (cuja introdução, levada pela gaita e pelo violão, dá a impressão de que vai descambar em uma canção tradicionalista do Rio Grande do Sul, algo que se mostra completamente ao contrário quando os demais instrumentos aparecem), "O Que Eu Preciso" (com uma interessante introdução a cargo do mandolim, e que mereceu um vídeo clipe), "Sexta-Feira" (regravação do tema presente no EP anterior), "Dias Atuais" ou "Tudo Que Há Para Viver", que chega a lembrar o som dos Inocentes, e é um dos destaques do disco.

A Lugh em seu ambiente natural: George Sá, Rafael Miranda, Lucas Bala, Daniel Jardim e Leonardo Nasr

O grande diferencial da Lugh é a presença da gaita ponto, que se destaca nos arranjos, assumindo inclusive, em muitas passagens, o papel de condutor da melodia, algo que, geralmente, fica a cargo da guitarra, e que traz às músicas do grupo uma sonoridade diferenciada em relação a outras formações nacionais. É este instrumento, por exemplo, que dá ares de polca a canções como "Sete Mares" (primeiro single divulgado, que também ganhou um vídeo clipe, e tem letra tratando de piratas e viagens pelo mar)  ou "Jack", em uma mistura inusitada, mas que soa muito agradável. É a gaita também quem dá um tom um tanto melancólico a "Vida Seca", uma das poucas cuja temática é mais "séria", abordando os problemas de um relacionamento (ou uma lição de vida a ser adotada, dependendo da interpretação), e descambando em um dos melhores refrões do registro. A letra de  "Chinaski" é inspirada pelo personagem de mesmo nome (um anti-herói misantropo e desajustado) criado pelo escritor Charles Bukowski , e a de "Do Outro Lado do Mar" (uma das que eu mais gostei) fala dos amigos que foram "pro outro lado do mar com muitos sonhos prá realizar", e que, quando a saudade bate, tem apenas "o rock prá tocar e a cerveja para acompanhar", tudo embalado por uma das melhores linhas de gaita do registro.

O início da faixa título lembra bastante o Charlie Brown Jr., mas, quando entra uma melodia conduzida pela gaita e pelo violino, tudo muda, e a atmosfera de pub irlandês volta a reinar, em mais um destaque do track list, que se completa com "Nosso Clã", uma das mais longas do disco (sem chegar a três minutos e meio), a qual também vai agradar em cheio aos fãs do rock nacional dos anos 1990. O álbum (cuja duração total mal ultrapassa os trinta minutos) está disponível para download neste link, e também pode ser ouvido na íntegra no canal oficial da  banda no youtube (acompanhado inclusive de uma interessante animação com a temática da capa), onde há vários vídeos retirados de apresentações ao vivo da Lugh, inclusive uma apresentação acústica bastante interessante e alguns covers para algumas das bandas que serviram de inspiração para o quinteto.

Ilustração com uma espécie de "mascote" do grupo, presente nos produtos de merchandise

A arte do encarte (a cargo de Daniel Malako, com ilustrações de Mateus de Castro) ficou muito legal, e a produção (assinada por Ray Z, com engenharia de Gilberto Jr.) está bem mais que aceitável levando-se em conta ser o primeiro registro completo do quinteto. Alguns arranjos poderiam ser melhor trabalhados (como o final de certas canções, que acabam de forma meio "abrupta"), mas isto é algo que a experiência e a estrada, certamente, trarão aos gaúchos, e não chega a denegrir de forma alguma o trabalho do grupo. Se este texto lhe chamou a atenção de alguma forma, dê uma chance para a música dos rapazes, e seja mais um a, como diz a letra de "Nosso Clã", "gritar em coro curtindo o som da Lugh, que a vida vai melhorar". Eu já estou fazendo a minha parte!

Track List:

1. Grito Na Noite
2. Sete Mares
3. O Que Eu Preciso
4. Dias Atuais
5. Chinaski 
6. Sexta-Feira
7. Quando os Canecos Batem
8. Nosso Clã
9. Vida Seca
10. Do Outro Lado do Mar
11. Tudo Que Há Para Viver
12. Jack