(What's on) Mica's Mind
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Datas Especiais: 40 Anos de Animal Boy, dos Ramones
Pink Floyd – Wish You Were Here 50 [2025]
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Dream Theater – Live in Tokyo, 2010 [2026]
Por Micael Machado
De maneira bastante resumida e genérica, pode-se dizer que a série de discos "Lost Not Forgotten Archives", do Dream Theater, foi criada para disponibilizar mundialmente, através do selo Inside Out Music, a "Official Bootleg Series", uma série de 25 lançamentos (segundo o Discogs, entre CDs e DVDs) liberados pela banda entre 2003 e 2009 pelo seu próprio selo, o Ytsejam Records, reunindo apresentações ao vivo, demos e sessões de gravações de praticamente toda a história da banda desde quando ainda se chamava Majesty, em 1985, até as demos do disco Train Of Thought, de 2003. Com uma apresentação gráfica bem mais simples (geralmente os CDs são no formato digipak, sem encartes ou muitas informações técnicas) do que os da série anterior, os títulos da "Lost Not Forgotten Archives" acabam se tornando atraentes por disponibilizar estes discos também em vinil, muitos pela primeira vez, fazendo a festa dos colecionadores da banda. Desde que foi lançada, esta nova leva de discos também agregou novos tesouros retirados dos arquivos do grupo, muitos deles já com Mike Mangini na bateria, músico que passou a integrar o Dream Theater no final de 2010, portanto, depois de todos os registros da série original já terem sido lançados.
Com a volta de Mike Portnoy ao posto de baterista do grupo em 2023 (sendo a formação do quinteto completa, para quem ainda não sabe, por John Petrucci nas guitarras, John Myung no baixo, James LaBrie nos vocais e Jordan Rudess nos teclados), era natural que novos registros da época da primeira passagem do baterista pela banda viessem a ser lançados oficialmente. O primeiro deles foi Live At Madison Square Garden 2010, disponibilizado no mercado já em 2023, o qual traz a íntegra de um show gravado em julho de 2010 na famosa casa de espetáculos de Nova Iorque, onde o Dream Theater atuou como banda de abertura para o Iron Maiden. Um outro show deste mesmo ano, gravado em 8 de agosto no Summer Sonic Festival, na capital japonesa, foi lançado agora em março deste 2026, sob o título meio genérico de Live In Tokyo, 2010, nos formatos CD e vinil (em várias cores diferentes - isto lá fora, claro, pois, aqui no Brasil, o álbum foi lançado apenas em CD, no formato digisleeve, pelo selo Shinigami Records, sendo, salvo engano, o primeiro disco desta série - a "Lost Not Forgotten Archives" - a ganhar uma edição nacional - e que outros venham na sequência, peço eu!), compreendendo a apresentação completa do grupo naquela data, em pouco mais de 75 minutos de um disco que, a primeira vista, pode não ser tão interessante assim para o fã mais "ocasional" da banda (e existe alguém assim, ou somos todos fanáticos pelo grupo?).
Afinal, ao olharmos o track list, vemos que o mesmo compreende apenas seis faixas, e apenas uma delas pode ser considerada um "clássico" da banda, o qual apresenta parte de uma das músicas favoritas dos fãs interpretada, ainda por cima, de forma incompleta, "misturada" a outra das principais faixas da discografia do Dream Theater (me refiro ao medley "Pull Me Under / Metropolis", que fecha o show, já no bis). Mas, analisando melhor a listagem das músicas, vemos que quatro delas fazem parte do disco que estava sendo divulgado então pelo grupo (o excelente Black Clouds & Silver Linings, de 2009, e um dos meus favoritos na carreira do quinteto), sendo que, das quatro, apenas uma possui uma versão ao vivo "oficial" com Portnoy na bateria disponibilizada em um outro disco ao vivo da turma ("A Rite Of Passage", também presente no citado Live At Madison Square Garden 2010, sendo a única a aparecer nos dois registros, junto com "Pull Me Under", que, naquele disco, aparece em sua versão completa). Duas outras faixas ("A Nightmare To Remember", que abre os trabalhos, e os mais de vinte minutos da excepcional "The Count Of Tuscany", para mim, o ponto alto deste show, e uma das melhores da carreira dos americanos, que encerra a apresentação antes do citado medley presente no bis) já haviam tido versões "ao vivo" lançadas oficialmente nesta mesma série de discos, porém, ambas contavam com o sucessor Mike Mangini na bateria (e fazem diferença a presença dos vocais "guturais" de Portnoy perto do final da execução da primeira, como na versão de estúdio, os quais nunca mais foram reproduzidos nas versões ao vivo com Mangini na bateria), e não com o músico que as gravou em estúdio. A quarta faixa do disco divulgado presente neste CD, a baladaça "Wither", aparece oficialmente pela primeira vez em um disco ao vivo da banda, assim como "Prophets Of War", faixa do disco Systematic Chaos, de 2007, que foi executada pelo grupo em alguns poucos shows entre 2009 e 2010, sendo esta a sua mais recente aparição ao vivo, segundo o site setlist.fm.
Como já é de conhecimento dos fãs da banda, pelo menos desde a entrada de Jordan Rudess o espaço para improvisos no meio das músicas não é tão extenso como em outras encarnações do Dream Theater. O que não significa que eles estejam ausentes por completo, e, aqui, estas "fugas do roteiro" ocorrem em um curto solo de teclados do próprio Rudess antes do início de "Prophets Of War", em algumas passagens instrumentais de Petrucci na parte mais lenta de "The Count Of Tuscany", e em uma espécie de "duelo" entre estes dois instrumentistas na parte instrumental de "Metropolis", em algo que me lembrou a versão disponibilizada em outro registro da série "Official Bootleg Series", o álbum When Dream And Day Reunite, de 2005, que apresenta um show gravado em Los Angeles no ano anterior. Mas esta falta de "novidades" na execução das músicas não serve, a meu ver, como um fator de desabono à qualidade da apresentação, afinal, a complexidade musical da maioria das faixas e a capacidade dos músicos de as reproduzirem fielmente sobre o palco é o que atrai muitos dos fãs para os shows do quinteto, assim como acontece (ou acontecia) com muitos "gigantes" do rock progressivo que já andaram sobre a terra, especialmente na década de 1970.
Um outro fator que torna Live In Tokyo, 2010 um disco "especial" dentro desta série (além de, particularmente, a bolachinha servir como uma lembrança da primeira vez que vi o quinteto ao vivo, justamente naquele ano de 2010, em uma apresentação em Porto Alegre, felizmente, bem mais longa que a presente neste CD) é que ele registra a data final desta turnê de divulgação do disco Black Clouds & Silver Linings (como LaBrie anuncia antes do início de "Wither"), marcando também aquela que seria a última apresentação de Portnoy ao lado do Dream Theater até o seu já citado retorno ao grupo, em 2023. Foram, para os fãs, treze longos anos de espera, até a volta do baterista ao seu lugar "de pertencimento", o lançamento do álbum Parasomnia, em 2025, e a turnê de quarenta anos do grupo, realizada entre o final de 2024 e o começo deste 2026. Daqui a alguns dias, em oito de abril, o grupo inicia no México uma turnê de divulgação do citado Parasomnia (que também celebrará o 30º aniversário do EP A Change Of Seasons), passando depois pela América Central e por alguns países da América do Sul, antes de chegar ao Brasil para uma série de seis shows, começando por Porto Alegre, no dia 03 de maio (meu ingresso para esta data já está garantido há meses), e terminando em Belo Horizonte, no dia 12 do mesmo mês. Dificilmente, alguma das músicas presentes em Live In Tokyo, 2010 fará parte do repertório de uma destas noites, mas, certamente, será uma apresentação inesquecível. Como o povo diz, "quem viver, verá"! Até lá, temos mais um belo disco ao vivo para ir "esquentando os trabalhos" antes de reencontrarmos o grupo sob as luzes dos holofotes em um palco, novamente!
Track List:
1. A Nightmare To Remember
2. A Rite Of Passage
3. Prophets Of War
4. Wither
5. The Count Of Tuscany
6. Pull Me Under / Metropolis
domingo, 29 de março de 2026
Neil Young - Archives Vol. III – Takes [2024]
Por Micael Machado
Em setembro de 2024, o músico canadense Neil Young lançou a terceira parte de seus "arquivos", uma série de box sets compreendendo, como o nome sugere, faixas "arquivadas" da carreira do músico, muitas delas inéditas e desconhecidas do grande público, ao lado de outras já lançadas anteriormente na longa discografia do cantor e compositor. Este terceiro volume consiste em um total de 198 faixas ao longo de 17 CDs (121 delas não lançadas previamente), além de 5 Blu-rays, trazendo raridades da carreira de Young entre 1976 e 1987. Para quem comprasse o box na pré-venda, foi disponibilizada uma espécie de "aperitivo" do conteúdo da caixa na forma de um CD extra com 16 faixas (sendo uma representante de cada CD do box set, à exceção do décimo sexto, que não forneceu nenhuma gravação para a compilação) intitulado Takes, o qual, após o box completo ficar disponível para venda geral, foi lançado também em uma versão em vinil duplo, que é aquela sobre a qual trato neste texto.
Apesar da grande quantidade de músicas inéditas constantes do box completo, dentre as dezesseis escolhidas para esta compilação apenas três podem ser consideradas realmente "novidades" para os fãs do bardo canadense: "Lady Wingshot", faixa de pegada mais country gravada em 1977, e que poderia muito bem se encaixar no álbum American Stars 'n Bars, lançado naquele ano (apesar de, aqui, ainda soar como uma demo inacabada); a roqueira "Bright Sunny Day", gravada ao lado do Crazy Horse em 1978, e que poderia fazer parte do lado B de Rust Never Sleeps, de 1979, apesar de também soar como uma demo ainda inacabada; e outra composição ao estilo country na forma de "Winter Winds", datada de 1980. As faixas restantes trazem diversos estilos pelos quais Young "perambulou" ao longo de sua carreira, como: faixas acústicas apenas com voz e violão (e uma ocasional harmônica aqui e ali), como uma versão diferente da clássica "Comes a Time" (que depois apareceria na versão em vinil de Oceanside Countryside, lançada em 2025); a mesma versão de "Hitchhiker" que daria título ao "álbum perdido" lançado em 2017; uma gravação ao vivo de "Thrasher" registrada em 1978, e outra de "Let It Shine" gravada no famoso Budokan de Tóquio em 1976 (e que não faz parte do track list do álbum Odeon Budokan, de 2023, o qual traz gravações no mesmo local e do mesmo período); e uma versão alternativa para "Hey Babe" (cuja original aparece no já citado American Stars 'n Bars), que, aqui, conta com os vocais das cantoras Nicolette Larson e Linda Ronstadt; faixas mais "roqueiras", com destaque para as guitarras, como uma versão inédita de "If You Got Love" (diferente daquela que ficou de fora da seleção final incluída no álbum Trans, apesar de incluída na lista de músicas da contracapa) e as versões ao vivo de "Drive Back" e "Barstool Blues" registradas ao lado do Crazy Horse em 1976 e 1984, respectivamente; faixas ao estilo "country music", como a versão de "Sail Away", que aparece aqui em um raro registro de estúdio do projeto The Ducks, grupo de curta duração que Young integrou em 1977, ou a versão ao vivo de "This Old House" gravada em 1985, composição que seria depois gravada pelo supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young em seu álbum American Dream, de 1988; e faixas com um toque mais "eletrônico", com Young dando mais atenção ao sintetizador Synclavier do que às guitarras, como na versão original de "Razor Love" (gravada em 1984, faixa que reapareceria completamente retrabalhada, em uma versão acústica ao violão, no álbum Silver & Gold, lançado no ano 2000) ou a balada com jeitão de "hino" "Last of His Kind", de 1987, faixa que fecha o box original, se desconsiderarmos uma faixa falada de quatorze segundos intitulada "Rap (Outro)" (não incluída nesta compilação), e que já havia sido disponibilizada anteriormente na seção de "arquivos" do site oficial do canadense.
Ainda temos uma surpreendente versão de quase dez minutos para "Hey Hey, My My (Into the Black)" gravada por Young ao lado da banda Devo em 1978, inclusive com os vocais a cargo de Mark Mothersbaugh (vocalista do Devo), ao invés de Neil, e que soa bem diferente da clássica versão elétrica registrada ao lado do Crazy Horse no citado álbum Rust Never Sleeps (a história seria que esta faixa foi gravada para o filme "Human Highway", dirigido por Young, o qual foi gravado ao longo de quatro anos, com o lançamento ocorrendo apenas em 1982, e que conta com os membros do Devo participando como atores. A frase "rust never sleeps", cantada por Mothersbaugh nesta canção, teria servido como inspiração para o título do álbum do canadense, lançado no ano seguinte). Esta faixa, para mim, acaba sendo o maior atrativo desta compilação (mesmo com as três músicas inéditas incluídas), a qual apresenta um track list em ordem "quase" cronológica ao longo dos quatro lados do vinil, e que eu considero recomendável apenas para os fãs mais "die hard" do bardo canadense, pois, para o ouvinte ocasional, vai acabar não agregando tanto assim, nem representando uma era mais atraente da longa carreira do músico (afinal, é bem sabido e divulgado que, no período entre 1980 e 1988, estão alguns dos piores registros da discografia de Young, tanto que ele chegou a ser processado pela sua gravadora à época, a Geffen Records, por "gravar discos que não soam como Neil Young").
Para quem curte a música de Neil Young, mas não tem condições de adquirir o box completo (com o maior motivo, acredito eu, sendo o alto custo financeiro do mesmo, que, além de tudo, não teve lançamento em versão nacional), esta coletânea acaba não sendo tão atraente, também, pois acaba trazendo poucas faixas realmente "novas", sendo a maioria versões diferentes de músicas já lançadas em outros momentos da discografia do canadense (chegando ao ponto de incluir faixas que se encontram em lançamentos regulares, como as citadas "Hitchhiker" e "Comes a Time"). Com a quantidade de faixas interessantes presentes no box completo, Takes poderia ter um track list bem mais atraente, mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. Uma pena!
Track List (versão em vinil):
Lado A
1. "Hey Babe"
2. "Drive Back"
3. "Hitchhiker"
4. "Let It Shine"
Lado B
5. "Sail Away"
6. "Comes a Time"
7. "Lady Wingshot"
8. "Thrasher"
Lado C
9. "Hey Hey, My My (Into the Black)"
10. "Bright Sunny Day"
11. "Winter Winds"
12. "If You Got Love"
Lado D
13. "Razor Love"
14. "This Old House"
15. "Barstool Blues"
16. "Last of His Kind"
domingo, 14 de dezembro de 2025
Resenha de Show: Dialeto e David Cross (Blues Bossa Jam Session, 30 de Outubro de 2025)
Body Count - Merciless [2024]
"Tentaram me matar com tiros / Tentaram me matar de fome / Tentaram me infectar com muitos tipos de vírus / Mas falharam em me eliminar / Falharam em me destruir" canta Ice T em "Live Forever", sexta faixa de Merciless, oitavo disco de estúdio do Body Count, lançado em novembro de 2024 (lá fora, pela gravadora Century Media, nos formatos CD, Vinil - em várias cores diferentes - e um "Deluxe Box" com um CD extra com as versões instrumentais das faixas, além de "brindes" como bandana e munhequeira; enquanto, aqui no Brasil, foi lançado pela gravadora Shinigami, apenas no formato CD Digipak), o quarto registro onde a banda é formada, além de Ice nos vocais, por Ernie C. nas guitarras, Sean E. Sean nos samplers e backing vocals (estes dois, os únicos sobreviventes da formação original, ao lado, claro, do "chefão" Ice T), Juan Of The Dead nas guitarras, Vincent Price no baixo, e Ill Will na bateria, além do vocalista de apoio Little Ice e do produtor Will Putney, que também atua como guitarrista adicional e participa da composição em praticamente todas as faixas do registro (ele que também é guitarrista da banda Fit for an Autopsy). Com doze faixas em pouco mais de quarenta e um minutos, Ice e sua turma mantém a mistura de rap com metal que tornou o Body Count famoso lá no começo da década de 1990, mas parecem levar a sonoridade do grupo alguns passos adiante nas direções mais "pesadas" do estilo.
Faixas como a veloz "Psychopath" (primeiro single de divulgação do álbum, e que conta com os vocais do músico convidado Joe Badolato, também do Fit for an Autopsy) e a brutal "The Purge" (com letra inspirada pela série de filmes de mesmo nome, e que conta nos vocais com a participação de George "Corpsegrinder" Fisher, do Cannibal Corpse) parecem saídas de alguns dos álbuns mais extremos do Slayer, enquanto a vinheta de abertura "Interrogation Interlude" aproxima a sonoridade do Body Count ao metal industrial de uma banda como o Ministry, por exemplo. A citada "Live Forever" (com participação nos vocais do cantor Howard Jones, ex-Killswitch Engage, atual Light the Torch) tem, além de um dos melhores refrões do disco, alguns trechos que se aproximam do Death Metal Melódico (apesar dos vocais de Ice não terem nada a ver com o estilo), e a veloz "Drug Lords" (com uma rápida participação de Max Cavalera - vocês sabem quem - em um curto trecho falado em português) parece saída de algum dos primeiros discos do Soulfly (ainda que sem a percussão característica da banda - aliás, o encarte não especifica quem canta nesta faixa, mas eu arriscaria dizer que as vozes ficaram a cargo do baixista Vincent Price, porque, certamente, não é Ice quem está cantando aqui).
"Do or Die" tem algumas partes que poderiam ser consideradas como o chamado "pula pula" do nu metal, enquanto "World War" parece saída de algum disco antigo do Biohazard, e composições como a faixa título, "Fuck What You Heard", "Mic Contract" (todas com bastante destaque para o baixo) ou "Lying Motherfucka" já se aproximam mais do estilo "tradicional" do grupo, apostando no peso em demérito da velocidade, e onde Ice atua mais como rapper do que como cantor.
A parte lírica também sofreu algumas alterações desde os primeiros discos, afinal, se "Mic Contract", "Do or Die" (que prega contra o crescente armamento da população dos EUA como forma de autodefesa, mas onde Ice diz que "se você vier pra cima de mim com uma automática, eu não vou me defender apenas com uma faca" e que ele não é "nenhum filha da puta pró-armas", mas sim "pró manter-se vivo") ou a própria "Merciless" ainda tratam da dificuldade da vida nas cada vez mais violentas ruas da Los Angeles natal do grupo (ou de qualquer outra cidade grande no mundo), "World War" alerta para o fato de que a humanidade está cada vez mais próxima de um conflito mundial em larga escala, tema que também permeia "Drug Lords", onde Ice fala sobre quem realmente "manda" na política do planeta. "The Purge" e "Psychopath" foram inspiradas por filmes que Ice T assistiu durante a pandemia de Covid 19, enquanto "Lying Motherfucka" é um ataque direto a Donald Trump ("Você tem pessoas que continuam a lhe apoiar / ainda que as merdas que você diz já tenham se provadas falsas / Você mente para o mundo inteiro / e ainda planeja se candidatar novamente para Presidente"), e "Fuck What You Heard" é uma crítica ao sistema político norte americano como um todo ("Esquerda e Direita são asas de uma mesma ave / Eles querem nos separar / Nos manter lutando uns contra os outros /Enquanto roubam o trem"). Já a surpreendente recriação da clássica "Comfortably Numb" (aquela mesma, que, aqui, chega até a contar com a própria participação do compositor David Gilmour na reinvenção de um dos mais emblemáticos solos de guitarra da história do rock, na única faixa do disco que passa dos quatro minutos de duração) trata da alienação da população, que fica imersa nas "redes sociais" o tempo todo, e acaba alienada (ou "confortavelmente entorpecida", como diz o título da música) do que realmente está acontecendo atualmente no mundo, sendo "informada" constantemente por Fake News e notícias "manipuladas" pelo governo ou pelos verdadeiros donos do poder no planeta.
Merciless é um passo adiante na carreira da banda, com músicas fortes e letras ainda mais impactantes e abrangentes do que alguns dos registros anteriores. Como Ice canta em "Fuck What You Heard", "Body Count's in tha buildin' " mais uma vez, e, ao que parece, não vai sair tão cedo. Ainda bem!
"I refuse to give up / I refuse to shut up / You can try to stop me / You can try to kill me / But my voice will live forever"
Track List:
1. Interrogation Interlude
2. Merciless
3. The Purge
4. Psychopath
5. Fuck What You Heard
6. Live Forever
7. Do or Die
8. Comfortably Numb
9. Lying Motherfucka
10. Drug Lords
11. World War
12. Mic Contract



















