sábado, 8 de maio de 2021

Renaissance – The Other Woman [1994]


Por Micael Machado

Em 1987, após dois discos mais voltados para a música pop (Camera Camera, de 1981 e Time Line, de 1983, verdadeiros "fiascos" aos ouvidos dos antigos fãs e também em termos comerciais) e de um período de relativa inatividade após a saída do baixista Jon Camp, em 1984, a parceria musical entre a vocalista Annie Haslam e o violonista e compositor Michael Dunford chegava ao final, acabando assim com a trajetória gloriosa do grupo britânico Renaissance, com a última apresentação da turma ocorrendo em 6 de junho de 1987 em New Jersey, nos Estados Unidos. Annie investiu em sua carreira solo (iniciada ainda em 1977, mas cujo segundo disco sairia apenas em 1989), e Dunford dedicou-se a elaborar um musical baseado na suíte "Song of Scheherazade", lançada por sua então ex-banda no álbum Scheherazade and Other Stories, de 1975. Durante workshops para selecionar o elenco de seu novo empreendimento, o músico conheceu a cantora americana Stephanie Adlington, cujo talento fez Michael desistir da ideia do musical e montar uma banda para gravar algumas de suas novas composições instrumentais, chamando para compor a parte lírica a antiga parceira Betty Thatcher Newsinger, letrista da maioria das composições do Renaissance desde a primeira encarnação do grupo, em 1969. Com Phil Mulford no baixo, Dave Dowle na bateria, Stuart Bradbury nas guitarras e Andy Spillar nos teclados e programações, gravaram então um álbum com o sugestivo título de The Other Woman em 1994, disco responsável por trazer o Renaissance de volta à vida!

Com uma sonoridade ainda mais contestada pelos fãs do que os dois equivocados "últimos" registros da banda, as canções de The Other Woman podem, de forma simplificada, serem divididas em dois grupos, sendo o primeiro deles o das músicas com tendências mais "pop" e "dançantes", recheadas de efeitos de teclados e alguns sons de bateria que já soavam datados antes mesmo de serem gravados. Dentre esta turma, o maior destaque vai para a faixa de abertura, "Deja Vu" (composição "balançada" que talvez tivesse chance de emplacar na onda "disco" do final da década de ouro do grupo, mas soava totalmente deslocada em uma época que via o declínio do grunge e a consagração do rock alternativo e do rap no meio musical), e para a longa "Somewhere West Of Here", única do disco a ultrapassar os seis minutos, com trechos de teclados e violões que chegam a lembrar, bem de longe, algo do trabalho da banda na década de 1970. "Quicksilver" conta com a participação do guitarrista convidado Rory Wilson (ex-integrante do Broken Home, grupo britânico totalmente desconhecido para mim), e "Don't Talk" é capaz de causar crises em quem sofrer de diabetes, com o alto nível de "açúcar" e "sacarose" de seu arranjo.

Detalhe do encarte de The Other Woman, com total destaque para a cantora Stephanie Adlington

O segundo grupo é o das baladas com maior ou menor intensidade de emoções. Nesta área, Dunford se sai bem melhor, pois a bela voz de Adlington (bastante agradável, preciso reconhecer, mas longe do alcance fantástico de sua antecessora) aparece com mais destaque, e as faixas não soam tão deslocadas no tempo quanto suas colegas de track list. "Lock In On Love" tem um belo e emocionante arranjo, enquanto a curtinha "May You Be Blessed" (cuja duração nem chega a dois minutos) é levada por camas de teclados e alguns trechos esparsos de piano que a tornam realmente bela. Levada ao violão, "So Blasé" possui elementos que a tornam mais "comum" dentro de seu estilo de composição, enquanto a faixa título trata dos problemas pessoais que Thatcher estava enfrentado naquele momento, com o final de um relacionamento (tema que também aparece, com menos ênfase,  em outras faixas do álbum). O disco ainda conta com uma versão para "Love Lies, Love Dies", curiosamente lançada (com resultados melhores) por Annie Haslam naquele mesmo ano, no álbum Blessing In Disguise, e um novo arranjo para "Northern Lights", que já havia aparecido no disco A Song for All Seasons, de 1978, cujo single da versão original se tornou o de maior sucesso na carreira do Renaissance até hoje (e cuja regravação presente aqui a torna, obrigatoriamente, também a faixa de maior destaque deste registro, embora, a meu ver, inferior àquela com os vocais de Haslam).

Com o álbum tendo sido lançado pela gravadora britânica HTD Records (segundo o Discogs, apenas em CD, sem edições em vinil ou cassete), a arte gráfica da versão original é toda focada em Stephanie Adlington, com várias repetições da mesma foto de seu rosto ao longo das páginas do encarte, além de uma foto sua à beira da água na contracapa e uma outra mais "posada" no início do livreto. O disco não teve destaque nas paradas, o que não impediu Dunford e Adlington de lançarem um segundo registro, Ocean Gypsy, em 1997, contendo versões acústicas de destaques anteriores da carreira do grupo, que aqui aparece sob o nome Michael Dunford's Renaissance (o que também acontece na compilação Trip To The Fair, de 1998, que traz um apanhado de faixas dos dois lançamentos anteriores da dupla), o que fez com que a banda nos três álbuns passasse a ser chamada deste modo por fãs e imprensa, algo que não é indicado na capa de The Other Woman, creditado apenas ao Renaissance. 

Contracapa da versão original de The Other Woman

Michael Dunford e Annie Haslam voltariam a se reunir em 1998 em uma nova encarnação do Renaissance (que também trazia o baterista Terence Sullivan e o pianista John Tout da "formação clássica" dos anos 1970, e que viria a lançar o álbum Tuscany em 2001), o que "enterrou" de vez o trabalho da parceria entre Dunford e Adlington, com a cantora retornando aos Estados Unidos para ensinar canto na Nashville’s Belmont University, além de ter uma quase inexpressiva carreira solo mais voltada para o jazz. Já Dunford excursionou junto a Haslam e o Renaissance naquele 2001, com a dupla continuando a trabalhar junta nos anos seguintes, mas com Michael infelizmente vindo a falecer de hemorragia cerebral em 2012, época em que trabalhava no que viria a ser Grandine il Vento, disco lançado em sua memória no ano seguinte. Annie segue à frente de uma nova encarnação do Renaissance, sem o acompanhamento de nenhum dos membros da "época de ouro", e parece que a "chama" do grupo não irá se apagar tão cedo, apesar de contar com alguns momentos onde brilhou de forma mais fraca, como neste The Other Woman.

Track List:

1. Deja Vu

2. Love Lies, Love Dies

3. Don't Talk

4. The Other Woman

5. Lock In On Love

6. Northern Lights

7. So Blasé

8. Quicksilver

9. May You Be Blessed

10. Somewhere West Of Here

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Sex Pistols - Filthy Lucre Live [1996]



Por Micael Machado

Durante pouco mais de dois anos entre 1976 e 1978, os Sex Pistols escandalizaram a Grã-Bretanha falando palavrões ao vivo na televisão, criticando a monarquia, proclamando que "não havia futuro" para a juventude inglesa, sendo presos algumas vezes, literalmente cuspindo na cara da sociedade e chocando por diversas vezes os conservadores cidadãos da ilha. Após uma bem sucedida (e cheia de confusões) turnê pelos Estados Unidos, o quarteto se separou, com seus membros originais seguindo carreiras mais (no caso do vocalista Johnny Rotten, "rebatizado" John Lydon após sair da banda) ou menos (no caso do guitarrista Steve Jones, do baixista Glen Matlock e do baterista Paul Cook) bem sucedidas no ramo da música, mas conquistando novos fãs a cada geração surgida após os anos 1970, além do profundo impacto no mundo da música que causaram não só naqueles que os viram ao vivo em sua curta primeira era de atividades, mas também naqueles que ouviram seu único disco de estúdio (Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols, de 1977) durante os anos de inatividade do grupo. Um boato de reunião da turma era levantado vez por outra na imprensa, mas Lydon sempre deixou claro que não tinha interesse em um retorno, a não ser que muita grana fosse paga aos membros ainda vivos dos Pistols (isso porque, como é sabido, o carismático baixista Sid Vicious, que substituiu Matlock em 1977, morreu de overdose no começo de 1979).

E a grana oferecida aos músicos deve ter sido realmente boa, pois os "quatro cavaleiros" originais do punk britânico acabaram se unindo para uma turnê mundial de seis meses em 1996, passando por quatro continentes em 78 datas, na excursão "Filthy Lucre Tour" (ou "Turnê do Lucro Sujo", em tradução livre), com Lydon berrando aos quatro ventos que a digressão aconteceria apenas pelo dinheiro que cada um ganharia (reportagens da época falavam em 1,2 milhão de dólares para cada um), excursão esta que inclusive chegou a passar pelo Brasil (com shows no Rio de Janeiro e em São Paulo em novembro daquele ano), e deixou para a posteridade o álbum Filthy Lucre Live, gravado em um festival no Finsbury Park de Londres a 23 de Junho de 1996, no primeiro concerto dos Pistols em sua terra natal em dezoito anos, o qual atraiu mais de trinta mil fãs, segundo reportagens da época - as quais, é claro, consideraram esta volta meramente pela grana como um mero pastiche, onde a banda estaria "envergonhando seu passado", algo do qual discordo, pelo menos na parte musical da coisa toda.

Os Sex Pistols no palco em Finsbury Park: Glen Matlock, Paul Cook, Johnny Rotten e Steve Jones 

Afinal, como alguém escreveu certa vez, os músicos dos Pistols realmente parecem ter aprendido a tocar seus instrumentos durante o período em que ficaram separados, pois comparar os pouco mais de cinquenta minutos de Filthy Lucre Live a qualquer um dos muitos bootlegs do grupo em sua primeira encarnação chega a ser covardia, visto que, se a fúria, a garra, o espírito ofensivo juvenil e o "sangue nos olhos" dos garotos de 1977 já não existem nos "senhores" de 1996, o profissionalismo, o nítido ganho em termos de experiência nos palcos e a segurança nas execuções dos temas (todas as musicas de Never Mind the Bollocks, mais dois B-Sides do disco e uma faixa de The Great Rock 'n' Roll Swindle, a trilha sonora do amalucado filme imaginado e concebido pelo ex-empresário Malcolm McLaren, o verdadeiro cérebro por trás da formação do grupo ainda no final de 1975) compensam com sobras a falta de "agressividade punk" da primeira encarnação da banda. Temas como "God Save the Queen", "EMI", "Anarchy in the U.K." e "Pretty Vacant" são interpretados de forma honesta e empolgante - e talvez um pouco "corretos" demais para uma banda punk, mas, ainda assim, conseguindo cativar a quem os escuta neste disco. Mesmo canções "menores" como "Seventeen" (onde Lydon atrasa sua entrada, aparentemente para ficar apenas curtindo o pessoal cantar os primeiros versos), "Did You No Wrong", a cover para "(I'm Not Your) Steppin' Stone" ou a "lenta" "Submission" (uma de minhas favoritas na curta discografia do grupo) são executadas com respeito e dedicação às suas versões originais (algo do qual o punk nunca precisou ou se importou, mas que é legal de ouvir em uma banda aparentemente movida apenas por motivações financeiras para tocar junta), além de umas poucas mudanças de arranjo aqui e ali, que só fazem mostrar a evolução técnica dos músicos nos quase vinte anos em que estiveram separados.

Contracapa de Filthy Lucre Live

O show foi transmitido à época pela BBC britânica, podendo ser encontrado por aí em algumas versões bootlegs (as quais possuem a encore "No Fun", por alguma razão desconhecida para mim não incluída neste CD, além de, dizem as más línguas, não contar com tantas "edições de estúdio" quanto a versão oficial, algo que não posso confirmar), e, após o término da excursão, cada membro voltou a seguir seu próprio caminho musical, reunindo-se ainda vez por outra para alguma ocasião especial (e, certamente, para encher ainda mais os bolsos de grana, suja ou não), sendo que as últimas aparições públicas do quarteto, pelo menos por enquanto, foram em uma série de festivais europeus em 2008. Mas, sabem como é, se a crise apertar ou se a grana jorrar, certamente os "punks ingleses originais" não irão se negar a sair de suas jacuzzis e subir em um palco para trazer alegria, diversão e boa música aos fãs dos Pistols. Esses itens, certamente, você encontrará em Filthy Lucre Live, um belo registro de uma volta aos palcos que, mesmo tendo acontecido apenas por razões comerciais (e quantas outras não foram exatamente assim nos últimos anos, embora não de forma tão escancarada?), com certeza conseguiu agradar a quem pôde participar de alguma de suas escalas (alguém que os viu no Rio ou em Sampa pode confirmar nos comentários?). Infelizmente, eu não tive esta oportunidade na época, então, me contento apenas com a audição deste belo registro, que, segundo o Discogs, ainda saiu em uma rara versão "box", contendo um CD extra com cinco faixas do álbum Never Mind the Bollocks e alguns itens exclusivos, como uma garrafinha de água, uma camiseta e uma nota assinada por Lydon, mas da qual nunca tive a chance de encontrar.

Track List:

01. Bodies

02.  Seventeen

03. New York

04. No Feelings

05. Did You No Wrong

06. God Save The Queen

07. Liar!

08. Satellite

09. (I'm Not Your) Steppin Stone

10. Holidays In The Sun

11. Submission

12. Pretty Vacant

13. EMI

14. Anarchy In The Uk

15. Problems

domingo, 28 de março de 2021

Pit Passarell - Praticamente Nada [2020]


Por Micael Machado

O músico Pit Passarell fez história no Heavy Metal nacional como fundador, principal compositor, baixista e depois vocalista do grupo paulistano Viper, responsável por alguns dos mais emblemáticos registros do gênero já lançados no país. Mas o artista também possui um lado mais leve, e suas composições de estilo mais próximo ao BRock dos anos 80 vem aparecendo aqui e ali em discos de outros grupos (principalmente o Capital Inicial, aproximação que se aprofundou ainda mais com a entrada do irmão de Pit, o guitarrista Yves Passarell, para a banda de Brasília em 2001) desde o final do século passado, pelo menos, além de compor boa parte do disco Tem pra Todo Mundo, lançado pelo próprio grupo original de Pit em 1996. Pois, em 2020, o ainda integrante do Viper resolveu juntar algumas destas composições a outras ainda inéditas, e lançar seu primeiro registro solo, intitulado Praticamente Nada, em um belo disco de "rock nacional", como atesta uma espécie de "obi" que acompanha a edição em CD lançada pelo selo Encore Music com apoio do site Wikimetal. Nesta empreitada, Pit se dedica apenas aos vocais, tendo a companhia de Flávio Simões no baixo, Wesley Maldonado na bateria, Cris Simões nos teclados e violões (além de assinar a produção do álbum), e conta com a presença dos guitarristas Eduardo Simões, Sílvio Vartan e Augusto Nogueira (além do já citado Yves) se alternando nas guitarras (infelizmente, o encarte não especifica quem toca em qual faixa).

Mais da metade do repertório já apareceu ao longo da carreira do Capital Inicial, sendo certamente as mais conhecidas as faixas "O Mundo" (escolhida como o primeiro single de divulgação de Praticamente Nada, tendo aparecido em Atrás dos Olhos, de 1998, e que na versão do autor soa bastante curiosa sem o característico "tchu ru ru" da introdução, substituído por um interessante fraseado de guitarra) e "Depois da Meia-Noite", inicialmente lançada em Das Kapital, de 2010 (e que aqui ganha um arranjo um pouco mais pesado que a versão do grupo candango). "Algum Dia", que apareceu com destaque no disco Rosas e Vinho Tinto, de 2002, ganha um novo arranjo, com a presença de violões e um vocal mais agressivo por parte de Pit, enquanto "Instinto Selvagem" (que já tinha uma atmosfera quase punk com o Capital, mas que ganha mais "sujeira" aqui, além de um excelente solo de guitarra) e "Seus Olhos" (que se distancia da forma mais pop do registro dos brasilienses, sem se descaracterizar totalmente, e também lançada como single) são duas faixas que apareceram em Gigante!, lançado em 2004. "Vamos Comemorar" (outra de Das Kapital) e "Poucas Horas" (do disco Saturno, de 2012) ganham letras diferentes na versão de seu compositor original, especialmente a segunda, que manteve praticamente apenas o seu refrão marcado pelo característico e repetitivo "tudo vai ficar bem". Para o meu gosto, estas "novas" versões com Pit acabam soando mais agradáveis que as "antigas", pois não possuem um viés tão "pop rock" quanto aquelas registrada pelo grupo de Brasília, além da voz de Pit ser bem mais "roqueira" que a de Dinho Ouro Preto, se encaixando melhor à cara mais "pesada" que o compositor deu às suas próprias versões.

Pit Passarell: o músico que fez história com o Viper lança seu primeiro registro solo, apostando no rock nacional.

Algumas faixas já haviam sido registradas por outros projetos capitaneados por Passarell, como o Metanol (com quem o músico gravou "Revolução na Cidade", que apresenta uma certa pegada punk) e os The Lucratives, banda formada por boa parte dos músicos envolvidos no CD, e com quem Pit lançou, ainda em 2008, além de algumas das faixas que também integram Praticamente Nada citadas no parágrafo acima, a veloz "Veloset", uma das duas únicas faixas deste álbum com versos em inglês (a outra é a semi balada "Love of My Life", única cuja maioria das frases principais são gravados na língua que consagrou a banda principal de Pit). A balançada  "A Minha Vida Vai Ser Bem Melhor" (com algo de rock clássico dos anos 50 no refrão), a faixa título e a cadenciada "Que Seja Eterno o Nosso Amor" (lançada como segundo single de Praticamente Nada) - estas duas, composições que, apesar de também apresentarem algo de punk rock em seu arranjo, não se diferenciam tanto assim de outras músicas compostas por Pit e já registradas anteriormente pelo Capital - são as únicas das quais não consegui encontrar um registro anterior, e servem, assim como as demais faixas do álbum, para mostrar que Passarell tem um dom para compor faixas marcantes não só no heavy metal clássico que o consagrou, mas também na seara do rock nacional de viés mais oitentista (e, cabe dizer, a quantidade de refrões marcantes que este disco apresenta é, sem dúvidas, muito acima da média).

Praticamente Nada não é (nem pretende ser) um disco de Heavy Metal, e, se você for um "metaleiro" com a mente mais fechada a outros estilos, sugiro que fuja da audição deste álbum. Mas, se, como eu, tiver alguma ligação com o BRock dos anos 80, ou for fã do estilo musical do próprio Capital Inicial, certamente encontrará aqui um álbum bastante agradável de ouvir. Confira!

Contracapa de Praticamente Nada 


Track List:

1. Veloset

2. Algum Dia

3. Praticamente Nada

4. O Mundo

5. Seus Olhos

6. Instinto Selvagem

7. Poucas Horas

8. Vamos Comemorar

9. Revolução na Cidade

10. Que Seja Eterno o Nosso Amor

11. Depois da Meia-Noite

12. A Minha Vida Vai Ser Bem Melhor

13. Love of My Life

domingo, 21 de fevereiro de 2021

The Doors - Live at London Fog 1966 [2016]


Por Micael Machado

Considerado o mais antigo registro do The Doors sobre um palco, o disco Live at London Fog 1966 foi lançado em 2016 para coincidir com as celebrações pelos 50 anos da estreia fonográfica da banda, em uma luxuosa (e limitada) embalagem contendo um vinil de 10", um CD e vários itens de memorabilia do grupo, sendo que apenas em 2019 foi receber uma nova edição, desta vez em um CD digipack, com um encarte mais simples do que o original e sem os "mimos" da caixa anterior (além, claro, das hoje obrigatórias plataformas digitais). Gravado em maio de 1966 no bar de Los Angeles que lhe dá nome, pelo espectador Nettie Peña, que declara no encarte ser amigo de Jim Morrison (vocais) e Ray Manzarek (teclado e vocais - se alguém ainda não sabe, completavam o grupo o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore) desde os tempos da faculdade de cinema (Peña também foi responsável pelas fotos que aparecem no encarte), o álbum mostra, em pouco mais de trinta minutos, um grupo ainda embrionário, se adaptando ao palco (a estreia da banda no local havia sido em fevereiro daquele ano), e longe do "monstro" que se tornaria apenas poucos meses depois.

Curiosamente, nenhuma faixa do autointitulado primeiro álbum (lançado em janeiro de 1967) aparece no repertório, embora Peña escreva no encarte que chegou a gravar, em uma fita de rolo diferente da que deu origem a este disco, uma versão de quinze minutos "épica" para "The End", considerada por ele "absolutamente genial", e John Densmore tenha dito em uma entrevista à revista Billboard quando do lançamento de Live at London Fog 1966 que "o que se ouve no disco é apenas metade da apresentação daquela noite", e que, certamente, uma versão inicial de "Light My Fire" teria sido executada naquele show. Das sete faixas do disco (duas outras são "ajustes de equipamentos" e conversas entre os músicos no intervalo das canções), cinco são covers para standards do blues como "Baby, Please Don't Go", de Joe Williams, e "I'm Your Hoochie Coochie Man", de Willie Dixon (esta com Ray Manzarek no vocal principal e Jim na harmônica), e apenas duas são originais dos conjunto, versões embrionárias para "Strange Days", que seria a faixa título do segundo registro do quarteto, e "You Make Me Real", que, curiosamente, só receberia uma versão oficial de estúdio em 1970, no álbum Morrison Hotel.

O Doors no palco do bar London Fog, em foto presente no encarte: Ray Manzarek, John Densmore, Jim Morrison e Robby Krieger

O The Doors surge ainda "verde" nestas gravações, embora o trio instrumental já demonstre o entrosamento e a força que conquistariam milhares de fãs ao longo da curta trajetória do conjunto, e Morrison apareça cantando em um tom um pouco mais agudo que o normal, ainda não apresentando o vocal de barítono que arrebatou multidões antes e depois de sua precoce morte. A gravação está em um nível bastante aceitável, sendo muito melhor que a de um bootleg "comum", mas longe da qualidade de outros registros oficias do grupo disponíveis por aí (e, claramente, não era esta a intenção de Peña quando fez as gravações), e certamente irão agradar aos fãs do grupo que tiverem acesso ao CD.

E parece ser para estes já convertidos devotos de Morrison e companhia que o álbum é indicado. Aqueles que, porventura, não estejam tão familiarizados com a obra do conjunto, não encontrarão aqui a melhor porta de entrada para a sonoridade do grupo. Já os fãs de longa data certamente terão muito a aproveitar aqui, pela possibilidade de conferirem o quarteto em um estágio ainda inicial, mesmo há poucos meses do lançamento de sua autointitulada estreia (que o transformaria em um dos maiores expoentes musicais da história), demonstrando mais uma vez que poucos gênios nascem prontos, e a maioria, como é o caso aqui, precisa de um período de aperfeiçoamento e evolução para atingir o seu máximo. É exatamente neste período embrionário que Live at London Fog 1966 foi registrado, e o resultado é, após a audição, bastante satisfatório. Confiram!

Contracapa de Live at London Fog 1966 


Track List:

Lado A

1. Tuning (I)

2. Rock Me Baby

3. Baby, Please Don't Go

4. You Make Me Real

Lado B

1. Tuning (II)

2. Don't Fight It

3. I'm Your Hoochie Coochie Man

4. Strange Days

5. Lucille

sábado, 12 de dezembro de 2020

Dois Reis - Dois Reis [2017]


Por Micael Machado

Sebastião Reis (voz, violão e guitarra) e Theo Reis (voz), filhos do cantor e compositor Nando Reis, começaram o projeto 2 Reis em 2012, com a intenção de levar para o palco músicas que o pai havia composto mas, por um motivo ou outro, não costumava apresentar em seus shows. Aos poucos, a dupla foi inserindo em seu repertório canções autorais, e, em 2017, reuniu oito delas no seu álbum de estreia, autointitulado, lançado pelo selo independente Relicário e produzido por Fernando Nunes, conhecido por trabalhar ao lado de artistas como Cássia Eller e Zeca Baleiro. Para o disco, que teve a capa desenhada pela irmã dos rapazes, Zoé Reis, a dupla foi acompanhada por uma banda formada por Victor Barreto (guitarras), Pedro de Lahóz (teclados), Gabriel Gariba (baixo) e Rafinha Wer (bateria).

O "paizão" Nando compôs (ao lado de Sebastião e de Fernando Nunes) apenas uma música, "Seja Como For", mas várias faixas do álbum poderiam muito bem estar espalhadas por sua discografia solo. Tanto "A Sombra do Futuro" (que ganhou um clipe de divulgação), quanto "Repartir", "Abri As Portas" (com destaque para as teclas de Pedro de Lahóz) ou "O Sexo Mais Forte" (que conta com um dueto entre Theo e a cantora Luiza Lian) parecem saídas dos discos do Reis mais velho, seja por causa dos timbres escolhidos para os instrumentos, seja pela semelhança das vozes do pai com a de seus filhos, ou ainda pela forte presença do violão e do Hammond nos arranjos das canções.

Theo e Sebastião, a dupla Dois reis

O reggae "Se Prepare" já havia sido gravado pela banda anterior de Theo, o Zafenate, e a balançada "Curva dos 30" conta com uma participação do trombone de Willian "Bica" em seu arranjo. Mas o maior destaque, para mim, é o encerramento com "O Tempo", faixa mais longa do registro (e única a passar dos cinco minutos), com uma atmosfera hippie que lembra um pouco o que se costumou chamar de "rock rural" no Brasil, além de algo de psicodelismo em seu arranjo e uma levada que lembra a parte dos versos de "Mantra", canção escrita pelo pai da dupla.

Difícil dizer qual caminho Theo e Sebastião adotarão em um próximo registro, e se conseguirão ou não se afastar da "sombra" do pai em suas composições. Mas, para um disco de estreia, Dois Reis se sai muito bem, ainda que vá agradar, primordialmente, àqueles já convertidos à sonoridade e à poesia da carreira solo de Nando Reis. Vamos aguardar o que o futuro trará!

Contracapa do álbum Dois Reis

Track List:

1. Abri As Portas

2. Seja Como For

3. Se Prepare

4. Curva dos 30

5. A Sombra do Futuro

6. Repartir

7. O Sexo Mais Forte

8. O Tempo

domingo, 29 de novembro de 2020

Blues Pills - Holy Moly! [2020]

Por Micael Machado

Quando o Blues Pills lançou sua estreia em 2014, chamou a atenção do mundo devido em muito ao talento de Elin Larsson, uma loiraça sueca cuja voz carregada de soul fez muita gente chamá-la de "nova Janis Joplin", um certo exagero na minha opinião, apesar do fato de que a moça era realmente um sopro de renovação no meio de tantas cantoras de vozes mais tímidas/contidas ou voltadas para o lado lírico/operístico que infestavam a cena à época. Mas a banda contava também com o jovem guitarrista francês Dorian Sorriaux, então com apenas 16 anos, e que conquistou muitos fãs com seu talento e inventividade no instrumento. Por isso, quando Dorian anunciou sua saída do grupo em novembro de 2018, os seguidores do quarteto ficaram apreensivos quanto ao futuro da trupe, que imediatamente anunciou que o baixista Zack Anderson assumiria as seis cordas do conjunto, com Kristoffer Schander sendo anunciado como novo baixista em outubro de 2019 (sendo que o baterista André Kvarnström completa o time), embora o novo integrante não tenha efetivamente participado das gravações do novo disco, Holy Moly!, terceiro registro completo de estúdio da turma, lançado no final de agosto de 2020, e que, felizmente, afasta todas as preocupações dos fãs quanto ao futuro e o direcionamento musical da banda!

O trio que registrou Holy Moly!: André Kvarnström, Elin Larsson e Zack Anderson

Isto porque Anderson (que, além das guitarras e baixo, também cuidou da engenharia de som e - ao lado de Elin e André - da produção, além de assumir o papel de principal compositor e letrista, nesta função novamente ao lado de Elin) conseguiu manter o estilo adotado pelo Blues Pills em seus primeiros anos, além de incorporar novas sonoridades à temática setentista do grupo. Se, nos primeiros discos, a música dos Pills parecia presa em algum ponto entre 1972 e 1974, desta vez a mesma avançou um pouco mais para o final da década, resultando no álbum mais variado do grupo até aqui: tem velocidade (em "Low Road", um dos destaques), hard rocks poderosos (como o manifesto feminista "Proud Woman", o ritmo "quebrado" de "Dreaming My Life Away" ou a agitada "Rhythm In The Blood"), groove em "Bye Bye Birdy", uma certa "malemolência" em "Kiss My Past Goodbye", baladas menos ("Dust") ou mais emotivas ("California" e, principalmente, "Wish I'd Known", com um belo coral no final) e até toques de psicodelismo presentes no solo de guitarra de "Song from A Mourning Dove", a mais longa do disco, sendo a única a passar dos cinco minutos, além do final com "Longest Lasting Friend", contando apenas com a guitarra limpa de Zack Anderson e a voz poderosa de Elin, que, ao longo do disco, assume novamente seu papel de destaque dentro da banda, com variações vocais desde tons mais suaves a graves marcantes, além de alternar volumes e tonalidades com maestria, fazendo com que seu canto não soe repetitivo ao longo das faixas.

Com pouco mais de quarenta minutos de duração, o CD saiu no Brasil pela Shinigami Records, mas lá fora foi lançado pela Nuclear Blast também em vinil (em diversas cores diferentes), em uma edição em CD duplo com uma reedição do EP Bliss, de 2012,  como bônus, e até mesmo em um box com o CD e o vinil de 12 polegadas de Holy Moly!, além de uma edição em vinil de 10 polegadas do citado EP. Se você já curtia o som do Blues Pills, pode conferir este novo álbum sem medo, e, se não conhece ainda, mas curte a sonoridade setentista do hard rock do período (que aqui, felizmente, foge da saturada cena de imitadores do Black Sabbath para buscar outras fontes de inspiração para sua música), então este disco é altamente recomendável, Confira!

Contracapa de Holy Moly!

Track List:

1. Proud Woman

2. Low Road

3. Dreaming My Life Away

4. California

5. Rhythm In The Blood

6. Dust

7. Kiss My Past Goodbye

8. Wish I´d Known

9. Bye Bye Birdy

10. Song From A Mourning Dove

11. Longest Lasting Friend

domingo, 4 de outubro de 2020

Datas Especiais - 35 anos do renascimento do The Cure


Por Micael Machado

O final do ano de 1984 não foi fácil para o guitarrista e vocalista Robert Smith, principal compositor do grupo inglês The Cure. Por motivos de saúde (física e mental), ele havia se forçado a sair do Siouxsie and the Banshees, onde atuava como um "simples" guitarrista, em uma busca de fugir da pressão e das responsabilidades de seu grupo principal. Este, por sua vez, apesar de ter acabado de lançar um álbum ao vivo (intitulado Concert), chegava esfacelado aquele final de ano, apos a demissão do baterista Andy Anderson (que, depois de muitas desavenças com outros membros do grupo, quebrou completamente um quarto de hotel no Japão e foi demitido ainda antes do final da turnê de divulgação do mais recente álbum de estúdio até então, The Top, também de 1984) e a saída voluntária do baixista e produtor Phil Thornalley (que, segundo suas próprias palavras, descobriu durante a excursão que "fazer turnês não é para os fracos de coração", e que se adaptava muito melhor aos ambientes fechados do estúdio do que à vida ao ar livre da estrada). Além disso, o guitarrista Porl Thompson (velho amigo de Robert, e que havia participado de uma das  primeiras formações do grupo) havia participado da turnê apenas com o status de "músico convidado", não fazendo realmente parte da formação do The Cure, que tinha em seu outro membro fundador, o tecladista Lol Tolhurst, um sujeito que passava mais tempo brigando com seus demônios pessoais (especialmente o álcool) do que contribuindo ativamente para a musicalidade da banda.

A entrada do baterista Boris Williams (ex-membro dos Thompson Twins) para completar a excursão acabou solucionando a parte percussiva do problema, mas faltava ainda resolver a questão da outra metade da seção rítmica do grupo. Um roadie da banda, Gary Biddles, acabou intermediando uma reunião entre Smith e Simon Gallup, ex-baixista do próprio Cure, com o qual havia gravado os discos mais bem sucedidos do conjunto até então (a "trilogia negra" formada pelos álbuns Seventeen Seconds, Faith, e Pornography), e que havia saído da banda após desentendimentos com Robert que chegaram até as "vias de fato" durante a última excursão de que o baixista participou. Segundo Biddles, os dois se encontraram perto de sua casa, foram até um bar e, "algumas cervejas depois, estavam conversando de novo". Smith fez então o convite para o retorno, Gallup aceitou, e as quatro cordas da banda ganhavam seu dono permanente desde então. Bastava apenas que Robert oficializasse a posição de Thompson como responsável pelas guitarras do grupo, e a entidade The Cure estava então pronta para renascer.

Em fevereiro de 1985, a nova formação em quinteto se reuniu no F2 Studios, na Inglaterra, onde Smith mostrou aos outros algumas ideias musicais que havia registrado sozinho, e que, desenvolvidas ao longo do primeiro semestre daquele ano, resultariam em The Head on the Door, lançado a 26 de agosto daquele ano, e que mudaria para sempre a história e o status do The Cure no mundo da música. Pela primeira vez, todas as faixas tiveram Robert como compositor exclusivo, sem a participação dos outros membros. "Bob" Smith já declarou que sua intenção era "gravar músicas sombrias e músicas pop e colocá-las no mesmo álbum", músicas que "criassem um tipo de tensão ao casar letras levemente amargas a melodias realmente doces". Um belo exemplo disso pode ser encontrado em "In Between Days", primeiro single lançado (ainda em julho) e faixa que abre o disco, com sua melodia alegre e divertida (conduzida pelo violão, algo raro na discografia da banda até então) emoldurada por uma letra onde Robert lamenta a perda de sua companheira e implora sua volta. A canção recebeu um icônico vídeo clipe dirigido por Tim Pope, que foi muito bem aceito na MTV dos Estados Unidos, e ajudou a catapultar o nome do grupo naquele país, com o sucesso apenas aumentando após o lançamento do segundo single (e clipe, do mesmo diretor), "Close to Me", outra canção pop e alegre, cujos versos dariam origem ao nome do álbum, e que, segundo Smith (em uma das várias repostas que ele deu ao longo dos anos tentando explicar este título, e que está presente no encarte da reedição de 2006), veio de um "pesadelo recorrente de infância, onde uma cabeça sem corpo me encarava de cima da porta de meu quarto"... dá para perceber que, apesar de tudo, Smith não estava tão alegre assim à época.

The Cure em 1985: Porl Thompson, Lol Tolhurst, Boris Williams, Robert Smith e Simon Gallup

Mas o lado "pop" de The Head on the Door não se resumia apenas a estas duas faixas. "Six Different Ways" tem uma leve a agradável melodia quase infantil, conduzida pelos teclados (que, aliás, foram quase todos tocados por Smith e Thompson, visto que Tolhurst passava efetivamente mais tempo embriagado do que tocando com o grupo), e "Push", uma das minhas favoritas na longa discografia do grupo, tocou (e ainda toca) muito nas rádios mundo afora, apesar de não ter sido lançada como single. "Screw" tem uma melodia que acaba soando estranha (mas ao mesmo tempo agradável) aos ouvidos, enquanto "The Baby Screams" traz de volta os experimentos eletrônicos da época em que o Cure era uma dupla formada por Bob e Lol, especialmente os contidos no single The Walk, de 1983 (aliás, não seria exagero dizer que os "experimentos" feitos pelo duo nesta época em busca de fórmulas mais "pops" para o som do Cure foram o que permitiram que The Head on the Door acabasse tendo a sonoridade que obteve ao final).

Mas é claro que, em se tratando de um álbum do The Cure, um lado sombrio, tristonho e depressivo acabaria eventualmente aparecendo. Este lado é representado por "Kyoto Song", onde melodias orientais aparecem no arranjo, pelos violões flamencos de "The Blood" (onde Smith clama estar paralisado pelo "Sangue de Cristo", que nada mais era do que uma variação de "Lágrimas de Cristo", nome de um fortíssimo vinho do Porto com o qual ele havia se embriagado na casa de Steven Severin, baixista e ex-colega de Bob tanto no Siouxsie and the Banshees quanto no The Glove), e, principalmente, na faixa que encerra o álbum "Sinking", onde Bob avalia a passagem do tempo e o avanço da idade em uma das mais memoráveis canções da história da banda. O track list se completa com a balada "A Night Like This", que casa perfeitamente o lado alegre e o lado sombrio do Cure em uma única faixa, e ainda tem um solo de saxofone gravado pelo músico convidado Ron Howe, que havia participado da banda Fools Dance, o grupo que Simon montou ao deixar o Cure em 1983.

Como já citei acima, em 2006, junto com os outros discos da discografia do grupo até 1987, foi lançada uma reedição "deluxe" de The Head on the Door, que veio com um CD bônus contendo as tais demos caseiras que Bob mostrou aos seus companheiros em fevereiro de 1985, outras demos gravadas pelo grupo em estúdio, e algumas faixas ao vivo. Neste CD aparecem versões alternativas para todas as músicas do álbum, além das quatro lançadas como B-sides à época e outras quatro inéditas até então, as instrumentais "Inwood" e "Innsbruck" (registradas apenas por Smith, com predominância dos teclados e arranjos bastante sombrios) e as mais alegres "Mansolidgone" (que lembra as faixas do Cure como dupla) e "Lime Time" (que traz versos que depois acabariam formando parte das letras de "In Between Days" e de "Six Different Ways"), gravadas pela banda inteira já no F2 Studios.

Contracapa de The Head on the Door

Como disse, o disco e (principalmente) os clipes acabaram fazendo muito sucesso nos Estados Unidos, levando o grupo para sua primeira grande excursão pelo país. O sucesso do Cure na América fez com que o resto do mundo abrisse os olhos para a banda, e o nome do quinteto atingiu um patamar até então sequer sonhado por seus membros, especialmente depois que a gravadora lançou, no ano seguinte, a coletânea de singles Standing on a Beach (chamada Staring at the Sea na versão em CD, sendo as duas frases os versos de abertura de "Killing an Arab", primeiro single do grupo, lançado em 1978), que reunia todos os "Lados A" da banda até então, com a versão em cassete original contando ainda com quase todos os respectivos "B-Sides", além de existir ainda uma versão em VHS com todos os vídeos oficiais, chamada Staring at the Sea: The Images, e o mesmo track list da versão em CD, que possui quatro faixas extras. Ao final da turnê promocional para The Head on the Door, o Cure fez dois shows no Théâtre antique d'Orange, na França (a 9 e 10 de agosto de 1986), que ficaram eternizados no VHS The Cure in Orange (lançado em 1987), na minha opinião ainda o melhor registro em vídeo do grupo, sendo que um lançamento oficial em DVD já foi anunciado muitas vezes, mas, infelizmente, nunca se efetivou. A turnê acabava com o The Cure em um nível de popularidade elevadíssimo, com seus membros (Smith principalmente) transformados em rock stars, e prontos para abraçar o estrelato daí em diante, posição da qual o grupo nunca mais sairia, mantendo o respeito e o apoio dos fãs do mundo todo até os dias de hoje, graças ao seu "renascimento" trinta e cinco anos atrás.

Track List (versão original):

Lado A:

1. "In Between Days"
2. "Kyoto Song"
3. "The Blood"
4. "Six Different Ways"
5. "Push"

Lado B:

1. "The Baby Screams"
2. "Close to Me"
3. "A Night Like This"
4. "Screw"
5. "Sinking"

Track List (CD bônus da reedição de 2006):

1. "In Between Days (RS Instrumental Home Demo 12/84)"
2. "Inwood (RS Instrumental Home Demo 12/84)"
3. "Push (RS Instrumental Home Demo 12/84)"
4. "Innsbruck (RS Instrumental Home Demo 12/84)"
5. "Stop Dead (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
6. "Mansolidgone (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
7. "Screw (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
8. "Lime Time (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
9. "Kyoto Song (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
10. "A Few Hours After This ... (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
11. "Six Different Ways (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
12. "A Man Inside My Mouth (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
13. "A Night Like This (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
14. "The Exploding Boy (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
15. "Close to Me (Fitz/F2 Studios Demo 2/85)"
16. "The Baby Screams (Live Bootleg Bercy Paris 12/85)"
17. "The Blood (Live Bootleg Bercy Paris 12/85)"
18. "Sinking (Live Bootleg Bercy Paris 12/85)"